Língua PortuguesaInterpretação de textosINEPAM 2026
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Questão de Língua Portuguesa
No momento em que D. Juan fechou a porta da sala do banquete e caminhou por uma extensa galeria, tão álgida como escura esforçou-se por tomar uma atitude hipócrita porque, pensando na sua dignidade de filho, tinha posto de lado a alegria juntamente com o guardanapo. A noite estava lôbrega. O discreto serviçal que conduzia D. Juan ao aposento paterno iluminava mal o seu amo, de maneira que a Morte, ajudada pelo frio, o silêncio e a obscuridade pôde suscitar na sua alma, talvez por uma reação da embriaguez, algumas reflexões graves. Assim interrogou o seu passado e ficou cabisbaixo como um acusado caminhando para o tribunal. Bartolomeu Belvidero, pai de D. Juan, era um nonagenário que passara a maior parte da vida em grandes transações comerciais. Tendo percorrido as mais frequentes vezes as regiões enfeitiçadas do Oriente, adquirira avultadas riquezas e, segundo dizia, conhecimentos mais preciosos que o ouro e os diamantes, a que já então nenhuma importância ligava. "Prefiro um dente a um rubi e o poder ao saber", declarava sorrindo. Este excelente pai gostava de ouvir D. Juan contar-lhe as estúrdias da juventude e dizia, com ar chocarreiro: "Meu querido filho, faz todas as asneiras que te possam divertir". Devia ser o único velho que sentia prazer diante dum jovem, pois iludia assim a sua velhice com a contemplação de uma vida tão radiosa como era a de D. Juan. Aos sessenta anos Belvidero apaixonara-se por um anjo de beleza e de inocência. O filho fora o único fruto desse tardio e breve amor. Havia quinze anos que o velho chorava a morte da sua querida Joana. A numerosa criadagem e o filho atribuíam a esta dor os hábitos singulares que o ancião contraíra. Refugiado na álea menos confortável do palácio, de onde raramente saía, o próprio D. Juan não entrava ali sem a sua prévia autorização. Quando este estranho anacoreta passeava pelo palácio ou nas ruas de Ferrare, parecia procurar qualquer coisa que lhe faltava, caminhando abstrato, hesitante, meditabundo, como que em luta com uma ideia ou uma recordação. Enquanto o filho dava festas e o palácio ressoava com as expansões da sua alegria, enquanto os cavalos escarvavam nas cocheiras ou os pagens discutiam jogando os dados pelas escadas, Bartolomeu Belvidero comia diariamente sete onças de pão e só bebia água. Se consentia em servir-se de um prato de galinha era para dar os ossos a um cão-de-água preto, seu fiel companheiro. Não o incomodava o ruído. Quando doente, se o som duma corneta ou o latido dos cães o estremunhavam, contentava-se em dizer: "Ah!, é D. Juan que volta!" (BALZAC, Honoré. O elixir da longa vida. https://dominiopublico.mec.gov.br/download/texto/cv000025.pdf. Acesso em 17 ago. 2026. Adaptado)
De acordo com o narrador, Belvidero:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
