Questões de Língua Portuguesa · Ibest

Língua PortuguesaConectivos e relações de sentidoIbest 2025

CREFONO 5

Questão de Língua Portuguesa

1 Muito provavelmente, a crônica, se não é o gênero literário mais apreciado, é o mais lido do Brasil. Ela tem, sobre os outros, a vantagem de se apresentar 4 normalmente em jornais e revistas, o que aumenta enormemente seu público potencial. Outro ponto que conta a favor da crônica, considerando-se o 7 público leitor em geral, é que ela é uma composição curta, uma vez que o espaço no jornal e na revista é sempre muito definido. 10 Mas essas mesmas características podem pesar contra a crônica: em princípio, ela é tão descartável quanto o jornal de ontem e a revista de semana 13 passada, seja pela própria contingência de aparecer nesses veículos, seja pelo fato de, na maioria dos casos, correr o risco de não se constituir como página 16 literária. Vira “produto altamente perecível”, e realmente desaparece, a não ser em casos especiais: um fã ardoroso, que coleciona tudo do autor; um 19 assunto palpitante para o leitor, que recorta e guarda o texto com cuidado; o arquivo do periódico... Se o autor tem lastro literário e é reconhecido 22 como escritor, crônicas suas, consideradas mais significativas, pelo assunto e pela qualidade estética, são selecionadas para virar livro. 25 Digamos, ainda, que muitos consideram este um gênero literário tipicamente brasileiro, pelo menos com as características que assumiu hoje. Mas 28 a crônica cumpriu uma longa trajetória até chegar ao que é, nos dias de hoje, no Brasil. Inicialmente, na Idade Média e no 31 Renascimento, o substantivo “crônica” designava um texto de História, que registrava fatos de determinado momento da vida do povo, em geral com o nome de 34 seu governante, rei ou imperador. (Afinal, sabemos que a História, sobretudo a mais antiga, narrava os fatos do ponto de vista do vencedor.) E — claro! — 37 essas crônicas não apareciam em jornais nem em revistas: contavam basicamente com os escrivães dos governantes. 40 No Brasil, a crônica nos periódicos veio importada da França, ainda em meados do século XIX. E acredite: a crônica era sisuda nesse tempo. Como 43 página séria, pequeno ensaio sobre temas políticos, críticas sociais, reflexões, durou muito tempo, embora, aqui e ali, aparecesse algum traço embrião do(s) 46 estilo(s) da crônica atual. É a partir da metade do século XX que o gênero adquire, definitivamente, uma identidade brasileira, 49 com o uso “mais nacional” da língua portuguesa, e possibilitando liberdade quase absoluta, qualquer recorte que desejar dar-lhe seu autor. 52 De fato, observados os limites impostos pelo suporte no qual aparece, a crônica torna-se um gênero em que cabe tudo — inclusive outros gêneros. 55 Nela cabem também todas as abordagens, todos os tons, do lírico ou dramático ao mais refinado humor ou escancarado deboche. 58 Daí, talvez, o encantamento do leitor pela crônica: dificilmente ele não encontrará, no gênero, a forma e o tom literários que prefere. Antonieta Cunha. A crônica. In: Affonso Romano de Sant’Anna. Crônicas para jovens. Global Editora, 2015 (com adaptações).

A expressão “a não ser” (linha 17) tem sentido equivalente a

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