Língua PortuguesaHumor e ironiaVunesp 2013
TJ SP
Questão de Língua Portuguesa
Caça aos clientes Gosto de entrar nas lojas calmamente. Passear olhando os produtos. Ultimamente, tornou-se impossível. Certos vendedores ficam na cola da gente! Dia desses, fui a uma loja de decoração. Uma jovem elegantíssima aproximou-se. – Já conhece nossa linha? – Ah, só estou passeando. É mentira, claro. Quem entra em uma loja tem o sonho de comprar. Falar em olhar é o mesmo que dizer: – Vê se não enche. A vendedora era do tipo insistente. Se eu dava dois passos e parava diante de um móvel, corria a abrir as gavetas. – Veja o acabamento! Preste atenção no detalhe de madeira. Fugi, constrangido! Joalherias são as piores. Admiro um anelzinho na vitrine. Pode ser um ótimo presente de Natal! Entro, meio sem jeito com o ambiente em que tudo parece tão caro. – Queria saber o preço daquele anelzinho. A mocinha lança um olhar dominador: – Sente-se. – Mas... Quase me empurra na cadeira. Vai buscar o mostruário. Observo a porta, esperançoso. Poderia sair correndo, perder-me nos corredores do shopping. Tarde demais. Ela retorna com o tesouro de Ali Babá. Mostra. O tal anelzinho é barato. Sugere uma gargantilha de safira e brincos combinando... Quando vejo, estou pagando as peças em três vezes! E roupas, então? Vendedor sabe o significado da palavra impulso. É assim: a gente bota uma roupa no provador. Respira fundo para a calça fechar. A barriga parece sumir. Compra. Em casa, o botão estoura. A camiseta sobe e o umbigo fica de fora! Portanto, tento ser cauteloso. – Só uma camisa branca. – Estamos com uma promoção em ternos. – Ah, terno eu nunca uso! Recebo de volta um olhar desconfiado. Como pode existir alguém que não veste terno? Conclui que devo estar mentindo. Cochicha no meu ouvido: – Aproveite, está a 50%. – Para pendurar no armário e não usar o terno nunca? Suas pupilas se fixam em outro cliente entrando. Ar próspero. Suspira. Leio em sua expressão: – Por que fui atender logo esse chato? Até em supermercados anda difícil. Estou parado diante dos produtos light, repleto das melhores intenções. Uma demonstradora aproxima-se com a bandejinha lotada de petiscos. – Aceita? Ainda não almocei. Tenho vontade de roubar a bandeja e fugir correndo. Respondo cortesmente: – Agradeço. Mas estou de regime. Ela sorri e se afasta. Dou dois passos, e ela reaparece na minha frente. – Aceita? – Bem... Apodero-me de quatro torradas e cubro cada uma com um sabor diferente. Rapidamente, ela indica: – Olhe, o produto é este aqui. Abarroto o carrinho justamente de todos os petiscos que havia jurado nunca mais levar à boca! Está certo. Não se pode culpar o vendedor. Mas, sinceramente, muitas vezes parece que está aberta a temporada de caça aos clientes! Certos vendedores agarram-se a mim como carrapato. E o pior: nem me deixam comprar em paz! (Walcyr Carrasco, revista VejaSP, 24.09.2011. Adaptado)
Imagens que exageram uma ideia podem servir para dar humor ao texto. É o recurso que o autor emprega em
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



