Videoaulas · Português para a Transpetro 2026

Concordância verbal e nominal na Cesgranrio

Sujeito posposto e distante, haver e fazer impessoais, o se apassivador, anexo, meio, bastante e é proibido. · 11 min · para Transpetro 2026 e concursos da Cesgranrio

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Resumo da aula

  • O verbo concorda com o sujeito, mesmo depois do verbo ou longe dele. Ache o núcleo.
  • Haver no sentido de existir e fazer indicando tempo são impessoais: singular. Existir concorda.
  • Verbo transitivo direto com se: passiva, concorda. Com preposição: índice de indeterminação, singular.
  • A maioria de mais plural: as duas concordâncias valem.
  • Anexo, meio, bastante: adjetivo varia, advérbio não. E obrigado concorda com quem fala.

Teste o que aprendeu

Questão 1 · Estilo Cesgranrio · Múltipla escolha

A concordância verbal está de acordo com a norma-padrão em:

Questão 2 · Estilo Cesgranrio · Múltipla escolha

A concordância nominal está de acordo com a norma-padrão em:

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Pegadinhas da banca

“A maioria dos candidatos” pede singular ou plural?

  • A regra: A maioria de / grande parte de + plural: verbo no singular ou no plural.
  • Correto: A maioria dos candidatos chegou cedo.
  • Também correto: A maioria dos candidatos chegaram cedo.
Transcrição da aula

Aula dois: concordância verbal e nominal. Depois de interpretação de texto, é o assunto de gramática que a Cesgranrio mais cobra em Português: perto de catorze por cento das questões, num levantamento com quase quatrocentas questões da banca. Hoje você vai dominar o sujeito posposto, o verbo haver, a voz passiva com o se, as palavras que mudam de forma na concordância nominal e, no final, questões no formato exato da prova.

Olha esta frase. Ela aparece em e-mail de empresa todo santo dia. Chegou, ontem à tarde, os novos equipamentos do terminal. Parece normal, não parece? Mas está errada. E é exatamente esse tipo de frase que a banca coloca nas alternativas. O problema é que o sujeito veio depois do verbo. Quem chegou? Os novos equipamentos. Sujeito no plural, verbo no plural: chegaram.

E daí sai a regra de ouro da concordância verbal. O verbo concorda com o sujeito, esteja ele onde estiver. Por isso, antes de olhar a terminação do verbo, pergunte: quem pratica a ação? Ou, na voz passiva, quem sofre a ação? Achou o sujeito, o resto é consequência.

A segunda armadilha é o sujeito longe do verbo. Leia comigo: A análise dos riscos das operações nos terminais precisam de revisão. O olho vai direto para terminais, que está no plural, e o candidato coloca o verbo no plural. Mas o que precisa de revisão? A análise. O resto é só complemento do núcleo. Núcleo no singular, verbo no singular: a análise precisa de revisão.

Agora, o campeão de erros: o verbo haver. Quando haver tem o sentido de existir ou de acontecer, ele é impessoal. Não tem sujeito. E verbo sem sujeito fica sempre na terceira pessoa do singular. Então: houve problemas, havia dúvidas, haverá vagas. Nunca houveram, nunca haviam.

E aqui está o detalhe que a Cesgranrio adora: trocar haver por existir. Haver, no sentido de existir, não tem sujeito. Existir tem sujeito, e concorda com ele. Então: havia muitos candidatos, mas existiam muitos candidatos. E isso contamina o verbo auxiliar. Deve haver problemas, com o deve no singular. Mas devem existir problemas, com o devem no plural.

O verbo fazer segue a mesma lógica quando indica tempo decorrido ou fenômeno da natureza. Fazem dez anos que o terminal foi inaugurado. Errado. Fazer indicando tempo também é impessoal. Dez anos não é sujeito. O certo é: faz dez anos. E com verbo auxiliar também: vai fazer dez anos, tudo no singular.

Próximo tema, e esse cai muito em prova de nível médio: o verbo com a partícula se. Primeiro, olhe o verbo. Vender é transitivo direto: quem vende, vende alguma coisa, sem preposição. Precisar é transitivo indireto: quem precisa, precisa de alguma coisa. Com verbo transitivo direto, o se é partícula apassivadora. A frase está na voz passiva, e casas é o sujeito. O verbo concorda: vendem-se casas. Com verbo transitivo indireto, o se é índice de indeterminação do sujeito. Não há sujeito para concordar, e o verbo fica no singular: precisa-se de técnicos. O teste é passar para a voz passiva analítica. Casas são vendidas: funciona, então o verbo vai para o plural. Técnicos são precisados? Não existe. Então, singular.

Aplicando o teste nesta frase: Contratou-se novos técnicos para a plataforma. Contratar é transitivo direto: quem contrata, contrata alguém. Então dá para passar para a passiva: novos técnicos foram contratados. Novos técnicos é o sujeito, no plural. Forma correta: contrataram-se novos técnicos para a plataforma.

Agora, questões no formato da prova: cinco alternativas, uma correta. Questão um. A concordância verbal está de acordo com a norma-padrão em: A, haviam muitas dúvidas sobre o novo procedimento. B, fazem dois anos que a plataforma foi instalada. C, existe, nos terminais, equipamentos modernos. D, vendem-se peças de reposição no almoxarifado. E, precisam-se de técnicos com experiência. Vamos eliminar. A: haver no sentido de existir é impessoal. Havia muitas dúvidas. B: fazer indicando tempo também é impessoal. Faz dois anos. C: existir tem sujeito, equipamentos modernos, no plural. Existem. E: precisar de pede preposição. O se é índice de indeterminação, verbo no singular: precisa-se. Sobrou a D. Peças são vendidas: voz passiva sintética, verbo concordando com o sujeito. Gabarito, letra D.

Agora, uma pegadinha ao contrário: quando o candidato acha que só uma forma está certa. Com expressões partitivas, como a maioria de, grande parte de, metade de, seguidas de um nome no plural, a norma aceita as duas concordâncias. A maioria dos candidatos chegou cedo. A maioria dos candidatos chegaram cedo. As duas estão corretas. Então, se uma alternativa disser que a frase está errada só porque o verbo foi para o plural, desconfie: a banca está testando se você conhece a concordância facultativa.

Agora, a concordância nominal: adjetivos, artigos, pronomes e numerais concordando com o substantivo. A regra geral é tranquila. O que derruba candidato são algumas palavras que às vezes variam e às vezes não. E o segredo é sempre o mesmo: descobrir se a palavra está funcionando como adjetivo, que varia, ou como advérbio, que nunca varia.

Vamos às palavras que mais aparecem. Anexo é adjetivo e concorda: seguem anexas as planilhas. Mas a locução em anexo é invariável: seguem em anexo as planilhas. Meio: quando significa metade, varia. Meio-dia e meia, meia hora. Quando significa um pouco, é advérbio e não varia: ela ficou meio nervosa. Bastante: quando significa muitos, varia. Há bastantes motivos. Quando significa muito, intensificando um adjetivo, não varia: eles estão bastante cansados. E obrigado concorda com quem fala. A mulher diz: muito obrigada. Um grupo diz: muito obrigados.

Última da concordância nominal, e essa está em placa de empresa por aí: É proibida entrada de pessoas não autorizadas. Expressões como é proibido, é necessário, é bom: se o substantivo vier sem artigo ou outro determinante, a expressão fica no masculino singular. É proibido entrada. Mas, se o substantivo vier determinado, aí concorda: é proibida a entrada. Repare: o artigo a é que obriga a concordância.

Questão dois, agora de concordância nominal. A concordância nominal está de acordo com a norma-padrão em: A, seguem anexo os relatórios da última inspeção. B, ao final, a engenheira respondeu: muito obrigado. C, a equipe ficou meia preocupada com o prazo. D, a reunião começou ao meio-dia e meio. E, há bastantes motivos para revisar o contrato. A: anexo é adjetivo e concorda com relatórios. Seguem anexos os relatórios. B: quem fala é a engenheira. Muito obrigada. C: meia preocupada? Aqui meio significa um pouco. Advérbio, invariável: meio preocupada. D: meio-dia e meia, porque é meia hora. E: bastantes motivos, com o sentido de muitos motivos. Adjetivo, concorda. Gabarito, letra E.

Aquecimento rápido. Diga se a frase está certa ou errada. Haviam muitas pessoas na fila. Errado. Havia muitas pessoas. Existem várias soluções para o problema. Certo. Existir concorda com o sujeito. Aluga-se salas comerciais. Errado. Alugam-se salas comerciais. Trata-se de questões delicadas. Certo. Tratar de pede preposição: índice de indeterminação, singular. Ela ficou meia confusa com a notícia. Errado. Meio confusa: advérbio não varia.

E a última, misturando as duas armadilhas da aula: sujeito distante e verbo haver. Os resultados da última análise de segurança dos navios, lacuna, divulgados ontem, e, lacuna, poucas dúvidas sobre eles. As lacunas são preenchidas, de acordo com a norma-padrão, por: A, foi e haviam. B, foram e havia. C, foram e haviam. D, foi e havia. E, foram e houveram. Primeira lacuna: o que foi divulgado? Os resultados. O núcleo está no plural, então foram. Isso já elimina a A e a D. Segunda lacuna: haver no sentido de existir. Impessoal, singular: havia. Eliminamos a C e a E. Gabarito, letra B: foram e havia.

Revisão relâmpago, para fixar. O verbo concorda com o sujeito, mesmo depois do verbo ou longe dele. Ache o núcleo. Haver no sentido de existir e fazer indicando tempo são impessoais: singular. Existir concorda. Verbo transitivo direto com se: passiva, concorda. Com preposição: índice de indeterminação, singular. A maioria de mais plural: as duas concordâncias valem. Anexo, meio, bastante: adjetivo varia, advérbio não. E obrigado concorda com quem fala.

Fechamos a concordância! Na próxima aula: vírgula e crase, os outros dois campeões da Cesgranrio. Até lá! As questões desta aula, o mapa mental e mais questões oficiais da banca estão de graça no link da descrição.