Questões de Língua Portuguesa · Vunesp

Língua PortuguesaInterpretação de textosVunesp 2025

CM Tatuí

Questão de Língua Portuguesa

Confidencial até o momento da aplicação. Leia o texto a seguir para responder às questões de 03 a 08: Chuvas e constelações Um tema pouco veiculado na literatura etnológica brasi leira é o calendário das atividades de subsistência de um gru po indígena – os Desâna, do rio Tiquié –, determinado pelo aparecimento de certas constelações. O conhecimento em pírico dos Desâna divide o clima da região em certo número de “verões”, alguns muito curtos, outros mais longos, entre meados por chuvas, estas anunciadas pelas constelações. A ambas – constelações e chuvas – estão associados os ciclos econômicos naturais: início, amadurecimento e término das safras de frutas; ocorrência de piracemas; safras de insetos, como a maniuara e a saúva, de grande importância alimentar. Às referidas mudanças climáticas vinculase também o ciclo agrícola, pois a queima das roças é feita nas estiagens. O ano dos indígenas Desâna começa em outubro, quan do surge no poente a constelação “Iluminação da jararaca” (añá siñoliru). A pesada chuva que ela anuncia também tem esse nome. Logo surgem, uma em seguida à outra, as cons telações que completam a figura da cobra: a “Cabeça de jara raca” (añá dihpuro puiró) e o “Corpo de jararaca” (añá dëhpë puiro). É época de fazer a limpeza do solo e a derrubada das árvores para abrir novas roças. Em janeiro vem o “verão do abiu” (kané were: abiu, v erão), que dura cinco dias. É quando essa fruta começa a escassear. Vem em seguida o “verão do ingá” (mené were: ingá, verão), também assinalado pelo término da safra dessa fruta de vagem comprida. Esse verão dura de oito a 15 dias, tempo dedicado à queima da roça aberta na mata virgem derrubada em outubro. Quando acaba esse verão, no fim de janeiro, começa a chuva “Fêmur de tatu”, anunciada pela constelação do mesmo nome (pamo ngoá dëhka). As observações climáticas dos Desâna contradizem a noção de que, na região, há apenas duas estações: seca e chuvosa, ou “verão” e “inverno”. Também superam outra clas sificação simplista, que só distingue no solo amazônico a terra firme, a campina e a várzea. Disso se conclui que o conheci mento indígena dos fenômenos climáticos deve ser conside rado para a compreensão da etnoecologia da Amazônia. (Berta Ribeiro e Tolamãn Kenhíri. Chuvas e Constelações: Calendário econômico dos índios Desâna. Disponível em: https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=chuvaseconstelacoes)

Com base no texto, é correto afirmar que a observação das constelações feita pelos Desâna

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.