Questões de Língua Portuguesa · Fundatec

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Questão de Língua Portuguesa

CONCURSO PÚBLICO Nº 02/2019 Instruções Leia atentamente e cumpra rigorosamente as instruções que seguem, pois elas são parte integrante das provas e das normas que regem esse Concurso ou Processo Seletivo. 1. Atente-se aos avisos contidos no quadro da sala. 2. Seus pertences deverão ser armazenados dentro do saco plástico fornecido pelo fiscal. Somente devem permanecer em posse do candidato caneta esferográfica de material transparente, com tinta azul ou preta de ponta grossa, documento de identidade, lanche e água, se houver. A utilização de qualquer material não permitido em edital é expressamente proibida, acarretando a imediata exclusão do candidato. 3. Certifique-se de que este caderno: - contém 45 (quarenta e cinco) questões; - refere-se ao cargo para o qual realizou a inscrição; 4. Cada questão oferece 5 (cinco) alternativas de respostas, representadas pelas letras A, B, C, D e E, sendo apenas 1 (uma) a resposta correta. 5. No caderno de prova, pode-se rabiscar, riscar e calcular. 6. Será respeitado o tempo para realização da prova conforme previsto em edital, incluindo o preenchimento da grade de respostas. 7. A responsabilidade referente à interpretação dos conteúdos das questões é exclusiva do candidato. 8. Os dois últimos candidatos deverão retirar-se da sala de prova ao mesmo tempo, devendo assinar a Ata de Prova. 9. Os gabaritos preliminares da prova objetiva serão divulgados na data descrita no Cronograma de Execução. Boa prova! V2_15/2/201913:12:44V1_15/2/201913:12:44 495_BASE_NS_12/3/201916:47:48 Instrução: As questões de números 01 a 08 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões. Os donos da verdade 01 Toda pessoa que já discutiu sobre política sabe que é quase impossível convencer alguém de 02 que está enganado, principalmente em questões ideológicas. Mas essa possibilidade existe, 03 embora seja pequena. Já quando se trata de extremistas, essa possibilidade é quase nula. Dada a 04 crescente relevância dos movimentos políticos radicais, surgiram nos últimos anos novos estudos 05 destacando o excesso de confiança que os mais radicais em sua própria opinião. Agora, 06 alguns cientistas resolveram verificar se há algo mais dentro das cabeças mais fanáticas que as 07 impede de sair de seus dogmas, independentemente da ideologia, da pressão social e do ego. 08 “Queríamos esclarecer se as pessoas que têm crenças políticas radicais geralmente estão 09 muito seguras de suas crenças, ou se se trata de diferenças na metacognição, que é a capacidade 10 que temos de reconhecer quando estamos errados”, explica Steve Fleming, neurocientista da 11 University College de Londres. 12 “Descobrimos que as pessoas com crenças políticas radicais têm uma metacognição pior do 13 que aquelas com pontos de vista mais moderados. Muitas vezes, elas têm uma certeza errônea e 14 resistem a mudar suas crenças diante da evidência”, explica Fleming. Essa metacognição de que 15 fala o neurocientista, poder pensar sobre o próprio acerto, está fortemente vinculada à capacidade 16 de incorporar novas evidências depois de uma decisão, o que permite reverter escolhas incorretas. 17 Nos últimos tempos, vários estudos mostraram que os extremistas políticos possuem uma 18 maior rigidez mental que os impede de reconhecer outros enfoques, reconhecer suas próprias 19 debilidades e aceitar mudanças. Por exemplo, um trabalho de pesquisadores da Universidade de 20 Cambridge com votantes do referendo sobre o Brexit mostrou que aqueles que tinham mais 21 dificuldades cognitivas para se adaptar a uma mudança de categoria em um teste eram mais 22 propensos a ser autoritários, nacionalistas, conservadores e a votar a favor da saída da Grã- 23 Bretanha da União Europeia. Outro estudo realizado nos EUA apontou que o sentimento de 24 superioridade a respeito da própria ideologia (ou seja, acreditar que a sua posição é mais correta 25 que a dos outros) é um bom indicador de extremismo ideológico. Tanto as pessoas de extrema 26 esquerda como as de extrema direita, por igual, tinham um maior convencimento do que as 27 demais de estar certas. 28 José Manuel Sabucedo, catedrático da Universidade de Santiago de Compostela e presidente 29 da Sociedade Científica Espanhola de Psicologia Social, trabalhou com base nessa mesma ideia 30 para saber se acreditar ser dono da verdade era uma boa forma de prever o radicalismo político. 31 “Descobrimos que o monopólio da verdade é um bom indicador de futuras atitudes extremistas, o 32 que permite intervir em relação àqueles que se acreditam no direito e na obrigação de impô-la aos 33 demais”, explica Sabucedo. 34 Sabucedo considera que isso se enquadra no conceito de realismo ingênuo, que é como se 35 define quando os indivíduos acreditam que a realidade é da forma que eles a percebem. “E se você 36 não compartilha minha forma de ver as coisas, é porque não tem informação, não tem capacidade 37 analítica ou está influenciado por sua ideologia”, pensam esses indivíduos segundo Sabucedo. Esse 38 fenômeno, assinala o catedrático, é perigoso porque pode levar alguém, “inclusive de ”, a 39 forçar outras pessoas a ver sua “verdade”. 40 No entanto, Sabucedo considera que o estudo de Fleming sobre a metacognição tem um efeito 41 limitado. “É interessante, mas deixa de fora a importância do contexto. Em épocas como esta, 42 quando surgem radicalismos e extremismos, não podemos dizer que isso se deva a esse problema 43 cognitivo”, aponta o cientista social. “Existem pessoas com essas tendências que se ativam para 44 se tornar mais extremistas e pessoas que também se ativam e que não as têm”, acrescenta. 45 “Estas épocas de incerteza geram ansiedade, e os cidadãos procuram uma explicação. Aí 46 aparecem determinados grupos para oferecer uma explicação simples, como a de que a culpa é da 47 imigração, que serve para reduzir essa ansiedade”, resume Sabucedo, que tem dedicado sua 48 carreira ao estudo dos autoritarismos a partir de uma perspectiva . "Descobrimos que 49 acreditar ser o dono da verdade é uma boa forma de prever atitudes extremistas, o que permite 50 intervir", explica Sabucedo. 51 Além disso, para Sabucedo há outra falha no estudo: a correlação entre essa deficiência 52 cognitiva mostrada pelos extremistas e sua tendência ao radicalismo. Qual é a causa e qual o 53 efeito? “Ainda não está claro se a metacognição limitada é a causa ou a consequência, ou ambas, 54 da radicalização”, reconhece Fleming. “Acreditamos que poderia predispor as pessoas a Execução: Fundatec 495_BASE_NS_12/3/201916:47:48 55 desenvolver crenças radicais, mas o contrário também é plausível”, afirma o neurocientista, e por 56 isso vai continuar estudando o assunto nessa direção. Fleming explica que talvez nossa capacidade 57 de refletir sobre nossas decisões ou crenças diminua quando estivermos rodeados por outras 58 pessoas com pontos de vista radicais. Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/18/internacional/1547814779_845056.htm (Texto adaptado para esta prova)

Analise as seguintes assertivas a respeito do preenchimento das lacunas do texto: I. A lacuna da linha 05 fica corretamente preenchida por ‘têm’, visto concordar com a expressão ‘novos estudos’ (l.04). II. Considerando o Novo Acordo Ortográfico, a lacuna da linha 38 fica corretamente preenchida pela palavra ‘boa-fé’. III. Com base no Novo Acordo Ortográfico, a lacuna da linha 48 fica corretamente preenchida pelo vocábulo ‘psico-social’. Quais estão corretas?

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