Língua PortuguesaOutros temasCOMPERVE 2018
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Questão de Língua Portuguesa
Leia estas instruções: Confira se os dados contidos na parte inferior desta capa estão corretos e, em 1 seguida, assine no espaço reservado. Este Caderno contém, respectivamente, uma proposta de Redação e 50 questões 2 de múltipla escolha, assim distribuídas: 01 a 10 Língua Portuguesa; 11 a 20 Legislação; 21 a 50 Conhecimentos Específicos. Quando o Fiscal autorizar, verifique 3 imperfeições gráficas que impeçam se o Caderno está completo e sem a leitura. Detectado algum problema, comunique-o, imediatamente, ao Fiscal. A Redação será avaliada considerando-se apenas o que estiver escrito no espaço 4 reservado para o texto definitivo na Folha de Redação fornecida pela Comperve. Escreva de modo legível, pois dúvida gerada por grafia ou rasura implicará 5 redução de pontos. Cada questão de múltipla escolha apresenta quatro opções de resposta, das 6 quais apenas uma é correta. Interpretar as questões faz parte 7 esclarecimentos aos fiscais. da avaliação, portanto não peça A Comperve recomenda o uso de caneta esferográfica de tinta preta, fabricada 8 em material transparente. Utilize qualquer espaço em branco deste Caderno para rascunhos e não 9 destaque nenhuma folha. Os rascunhos e as marcações que você fizer neste Caderno não serão 10 considerados para efeito de avaliação. Você dispõe de, no máximo, quatro horas e trinta minutos para redigir o texto 11 definitivo na Folha de Redação, responder às questões e preencher a Folha de Respostas. O preenchimento da Folha de Respostas e da Folha de Redação é de sua inteira 12 responsabilidade. Antes de se retirar definitivamente da sala, devolva ao Fiscal este Caderno, a 13 Folha de Respostas e a Folha de Redação. Assinatura do Candidato: Concurso Público UFRN A vida é um sonho. Realize-o (Madre Teresa) Prova de Redação Volta e meia, a temática da descriminalização do aborto ganha evidência na sociedade brasileira. De um lado, os defensores da descriminalização alegam os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. De outro lado, os opositores evocam o direito do feto à vida. Diante da inércia do Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal foi chamado a se posicionar sobre o tema, o que acabou provocando outra celeuma, sobre quem teria competência para decidir a questão: o Poder Judiciário ou o Poder Legislativo. Considerando essa problemática e seus conhecimentos a respeito do tema, produza um artigo de opinião em que se posicione sobre a seguinte questão: O Supremo Tribunal Federal é a instância adequada para decidir sobre a descriminalização do aborto? INSTRUÇÕES Seu artigo deverá atender às seguintes normas: • ser redigido no espaço destinado à versão definitiva na Folha de Redação; • apresentar explicitamente um ponto de argumentos; vista, fundamentado em, no mínimo, dois • ser redigido na variedade padrão da língua portuguesa; • ser redigido em prosa (e não em verso); • conter, no máximo, 40 linhas; e • não ser assinado (nem mesmo com pseudônimo). ATENÇÃO Será atribuída NOTA ZERO à redação em qualquer um dos seguintes casos: • texto com até 14 linhas; • fuga ao tema ou à proposta; • letra ilegível; • identificação do candidato (nome, assinatura ou pseudônimo); • texto que revele desrespeito aos direitos humanos ou que seja ofensivo ; e • artigo escrito em versos. Concurso Público UFRN Edital 16/2018 Bibliotecário-Documentalista A vida é um sonho. Realize-o. 1 2 Concurso Público UFRN Seleção 2018 Bibliotecário-Documentalista A vida é um sonho. Realize-o. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Concurso Público UFRN Edital 16/2018 Bibliotecário-Documentalista A vida é um sonho. Realize-o. 3 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 (NÃO ASSINE O TEXTO) 4 Concurso Público UFRN Seleção 2018 Bibliotecário-Documentalista A vida é um sonho. Realize-o. 01 a 10 As questões de 1 a 10 desta prova são baseadas no texto abaixo. Cartas que (ainda) te quero cartas William Eloi 1º Foi há mais ou menos dezessete anos. Era um dia de sábado. A crônica havia saído em uma edição do extinto O Poti. Eu estava ali, encerrado em um cubículo, dentro de um elevador que dava para o portão principal. Trabalhava na portaria de uma faculdade particular e – mesmo desarmado – tomava conta de todo um prédio, que ainda incluía computadores, laboratórios de todos os tipos e peças anatômicas orgânicas. Não havia expediente acadêmico aos sábados à noite; então, aproveitava para ler todos os jornais de que a faculdade possuía a assinatura e que chegavam à portaria, já que eu estava só, e os cadáveres – as peças – permaneceriam submersas em seus tanques. Mudas. 2º O nome da crônica era “Cartas que te quero cartas”, do jornalista Osair Vasconcelos. Nela, com certo saudosismo e desalento, o autor apontava o fim de um dos mais antigos modelos de românticos de comunicação, A Carta, com o surgimento do vírus Antraz (ou Anthrax), usado como arma biológica pelo Talibã. 3º Diferentemente do que Osair profetizou à época, A Carta saiu vencedora e nunca mais se ouviu falar na mídia de algo relacionado ao carbúnculo, salvo a banda nova-iorquina de trash metal, de mesmo nome, que, no período, ficou constrangida com a associação bizarra. A Carta só começaria a ver sua derrocada, seu modelo relegado ao canto na história, com o nascimento do e-mail, a ascensão das redes sociais, e, mais recentemente (?), o fenômeno W hatsApp. 4º Difícil imaginar todo o lirismo pungente com que Oscar W ilde escreveu para o seu amado Bosie, sob as lágrimas derramadas nas folhas de papel, atrás dos muros de Reading, ou a famosa troca de correspondências entre os poetas Rainer Maria Rilke e Franz Kappus; tudo isso digitado com a supressão de substantivos, verbos, adjetivos. Em uma Carta, há tempo (ou havia) para sermos reflexivos, cuidadosos em cada letra e, por isso, mais profundos. Tempo para nos acomodarmos ao banco – como um concertista, passando em revista a sua pauta, depois de revisado todo o programa, suspira. 5º Algumas Cartas poderiam levar até um pouco de perfume ao ser amado; o fio de um cabelo caído ali por descuido. O tremor em cada letra pela emoção, ou a inabilidade do desenho na forma cursiva, denunciando a instrução humilde de quem sabe escrever pouco mais do que o próprio nome, mas que, mesmo assim, desfilava seus garranchos com orgulho. E, mesmo as que ainda estavam guardadas há muito tempo em velhos baús, já quase esquecidas, podiam ser acariciadas com a ponta dos dedos, ou das luvas, percorrendo-lhes cada linha, admirados com a folha enrugada, com a ação da atmosfera, que lhe conferiu um ar amarelo de “dignidade”, ao mesmo tempo em que pensávamos: Parece que foi ontem… 6º E as Cartas ilustres, dignas de objeto de estudo, ou adoração. Memorabílias que definiram certos rumos ou acontecimentos na história, protegidas geralmente por vidros e sistemas de segurança – a exemplo das missivas de Freud e Jung, expostas num museu de Zurique, relatando ao público curioso desde os primeiros anos da amizade entre os dois gigantes da psicanálise ao rompimento definitivo; ou a exemplo dos ataques, descritos à mão, de um Lennon magoado e furioso a Paul McCartney, arrematada por milhões de dólares. 7º Lembro-me de, quando ainda garoto, escrevia cartas ditadas pela minha mãe para a parentela – ela não sabia escrever – com meu pai passando para lá e para cá e, vez por outra, vociferando qualquer coisa do tipo sobre meus ombros: “Você não deve repetir a mesma palavra!” ou “Resuma tudo o que você quer dizer!” e, mesmo assim, quase sem querer, ensinava-me um pouco do que eram os rudimentos da técnica de comunicação. É difícil de imaginar tudo isso na era da “informação”, porque, entre os toques nervosos em tablets e smartphones, apenas informamos; estamos sempre enviando mensagens enquanto Concurso Público UFRN Edital 16/2018 Bibliotecário-Documentalista A vida é um sonho. Realize-o. 5 fazemos outras coisas. (Bem, acho que você certamente já teve a experiência de conversar com alguém enquanto essa pessoa lhe acena positivamente com a cabeça e responde um “Zap”). 8º E aqui, apesar de não ser um bruxo, lanço também minha profecia, minha visão do futuro: haverá o dia em que as máquinas irão criar a transferência de consciência, o implante de falsas memórias, mas a sensação física do primeiro toque, do primeiro cheiro, dessa sinestesia geradora do mundo, não – por mais que a experiência da “leitura” e da “escrita” também nos transporte além de nosso ambiente físico-corpóreo, como um link – porque, quando lançamos os dedos ou o olhar sobre a superfície de qualquer coisa, a fim de ler, de nos comunicarmos, há ali também qualquer coisa de fetiche, de sedução. Como o hábito de fumar, que não apenas está relacionado simplesmente ao trago, ao gosto da nicotina, mas à sensação do dedo rolando a roldana contra a pedra de pederneira, a chama que sobe sob o gás propano. 9º No fim, é a velha ilusão do tempo em que a hiperconectividade nos coloca agora. A sensação de estarmos indo lento demais num piscar de luzes, de sins e de nãos, a velocidades cada vez mais rápidas. E, por isso, frustrados, achando-nos out, nos entupimos de Lexotan e vemos o romantismo como coisa do passado. Disponível em: <www.cartapotiguar.com.br>. Acesso em: 27 jun. 2018. [Adaptado]
Em sua centralidade, o texto objetiva
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

