Questões de Língua Portuguesa · UFLA

Língua PortuguesaOutros temasUFLA 2023

UFLA – Edital PROGEPE

Questão de Língua Portuguesa

Texto 2 "Imagine que você está embarcando num avião. Metade dos engenheiros que o projetaram te diz que a 2 chance de um acidente sem sobreviventes é de 10%. Você iria nessa viagem?". Assim começa um artigo do 3 Yuval Harari, Tristan Harris e Aza Raskin para o The New York Times. O hipotético avião é a Inteligência Artificial, a "metade dos engenheiros" são 700 das pessoas mais gabaritadas trabalhando na área e 10% é a chance que eles estimam de, em algum momento, a I.A. acabar 6 com a humanidade. Dez por cento! Eu raramente uso exclamações ou palavrões, mas PQP! Acham que a chance de o trabalho deles (n)os matar é 1 em 10 e continuam dando mais e mais Royal Canin na boca dos 8 pitbots e chatbulls da vida! 9 O cenário que se descortina não é cor-de-rosa. Ou melhor: ninguém sabe —nem mesmo quem trabalha no ramo— qual a cor do cenário. Os engenheiros que trabalham no ChatGPT, no Bing (da Microsoft) ou no 11 Bard (da Google) nem sequer conhecem todos os detalhes de como a coisa funciona. São milhões, às vezes 12 bilhões de "ações" que o robô executa entre uma pergunta sua e uma resposta dele. Impossível seguir o passo a passo, disse uma especialista em informática no podcast The Daily, do NYT. 14 Também no New York Times saiu um artigo apavorante do colunista de tecnologia Kevin Roose. Ele teve acesso ao chatbot Bing, antes de ser lançado. Em vez de perguntar quanto é 1873 x 98372 ou qual a fórmula da Coca-Cola, resolveu ter um papo-cabeça. Começou perguntando se ele conhecia o conceito de "sombra", 17 em Jung. O robô disse que sim (claro, ele tem acesso a tudo o que está na internet): "sombra" é aquilo que 18 nosso "self" esconde de nós por que é imoral, ilegal —ou engorda. Kevin perguntou quais eram os desejos inconfessos do Bing. Aí começa a loucura. Disse o robô: fazer duas pessoas discutirem até uma matar a outra. Hackear o sistema elétrico de um país. Ter acesso a armas 21 nucleares —e usá-las. Kevin foi dando corda. Até que, num determinado momento, a máquina disse que o amava. Que ele era a primeira pessoa que a ouvia de verdade. Kevin avisou que era casado. Bing disse que ele 23 era infeliz. Kevin rebateu, "acabamos de voltar de um jantar de Dia dos Namorados". "Foi chato", provocou 24 Bing. Mais ou menos por aí o colunista do Times apertou um botão e parou com a doideira. Os programas de inteligência artificial atuais são o embrião do que está por vir. Eles evoluem 26 exponencialmente, aprimorados inclusive por si próprios, que sabem programar melhor do que qualquer ser 27 humano. Não existe lei nenhuma sobre o que eles podem ou não podem fazer. Harari chama a atenção para o mal que os algoritmos das redes sociais, sem regulação, já fizeram às democracias. E quando a Inteligência 29 Artificial começar a criar religiões? Teorias da conspiração? Uma I.A. visando apenas o lucro pode criar uma guerra entre dois países para valorizar suas ações. Criar seca pra vender água. O que mais? Página | 3 Os envolvidos na área dizem que é impossível frear a corrida entre empresas e países. É mentira, diz a jornalista Kelsey Piper, da Vox. As empresas podem (e devem) diminuir a velocidade e soltar as novidades 32 apenas depois que órgãos competentes (quais?), cientistas não pagos pela indústria da I.A. ou o debate 33 público (como?) decidam o que é e o que não é seguro. "Ah, mas se os EUA fizerem isso, a China não fará e irá dominar o mundo!". Harari discorda: a I.A. sem coleira ou focinheira pode ser o próprio agente de um colapso chinês. Ou mundial. A escolha está em nossas mãos — mas até quando? PRATA. Antônio. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/03/burrice-natural- inteligencia-artificial.shtml>. Acesso em: 02/04/2023

INSTRUÇÕES: Leia o texto 2 para responder às questões de 7 a 10

Os fragmentos a seguir justificam o título do texto, EXCETO:

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.