Questões de Língua Portuguesa · Fundatec

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Procuradoria Geral do Estado - PGE/RS 7º CONCURSO PÚBLICO PARA PROVIMENTO DE CARGOS

Questão de Língua Portuguesa

Texto 2 Em julho de 1948, Nelson Rodrigues lançou mais uma novela de “Suzana Flag”: “Núpcias 02 de fogo”. O primeiro capítulo saiu simultaneamente em “O Cruzeiro” e “O Jornal”, e o folhetim 03 seguiu depois no matutino. Os leitores pareciam não se cansar de “Suzana Flag” – Nelson é que já não a tolerava mais. Estava com a cabeça definitivamente no teatro e só continuava escrevendo folhetins ............. precisava sustentar-se. Em 1949, Freddy Chateaubriand trocou sua função de 06 diretor de “O Jornal” pelo comando no “Diário da Noite” e levou Nelson com ele. A pedido de Nelson, deixaram “Suzana Flag” para trás, congelada e morta. 08 Mas Nelson não ficou livre. Em lugar de “Suzana Flag”, Freddy inventou “Myrna”, a nova 09 máscara feminina de Nelson Rodrigues. Dava na mesma, exceto que “Myrna” teria um concorrente à altura no “Diário da Noite”: o folhetim “Giselle, a espiã nua que abalou Paris”, assinado por 11 “Giselle de Monfort” – na verdade, David Nasser – e ilustrado com fotos moderadamente eróticas 12 de Jean Manzon, com modelos cariocas. Talvez por essa, talvez por outras razões, “Myrna” não conheceu a glória longeva de “Suzana Flag”. Viveu apenas um ano, durante o qual produziu “A 14 mulher que amou demais” – e propiciou a Freddy Chateaubriand uma ideia que ele não tivera em “O Jornal”. A correspondência de “Myrna” era tão descomunal que era uma pena não transformá-la 17 num “correio sentimental”. Ei, e ............ não? As leitoras acreditavam em “Myrna” e escreviam 18 contando suas brigas com a mãe ou com o namorado, pedindo conselhos. Nelson poderia responder-lhes, com a solidariedade que sempre dispensara ........ mulheres – e faturando mais alguma grana. A seção se chamaria “Myrna escreve” e teria a ilustração de uma mulher com os 21 olhos tarjados; Nelson escreveria na primeira pessoa do feminino. Numa das cartas, a leitora contava que, mal conhecera um rapaz, apaixonou-se por ele e 23 lhe emprestou um valioso anel; o namorado pôs o anel no prego, jogou nos cavalos e ficou sem 24 dinheiro para resgatar a cautela; a mãe obrigou-a a largar o rapaz e lhe raspou a cabeça, para que tão cedo não saísse de casa. A moça perguntava a “Myrna”: “Pode-se amar um ladrão?” 26 Nelson, lixando unhas invisíveis, respondeu: “Ai de nós, Fulana! Uma mulher pode, 27 perfeitamente, gostar de um ladrão. Por um motivo: o coração não enxerga um palmo do nariz. Se ele só se inclinasse por rapazes direitos, estaria tudo salvo. De onde as tragédias 29 amorosas? Precisamente, do fato de que ninguém escolhe certo, mas escolhe, quase sempre, errado. Vou mais longe: a gente não escolhe certo, nem errado. A gente não escolhe. “Gostamos e deixamos de gostar, por uma série de fatores estranhos à nossa vontade. De 32 forma que, em realidade, tudo é uma pura e simples questão de sorte. Às vezes coincide que o 33 nosso amor seja um cidadão seríssimo, respeitador, cumpridor dos deveres. Foi o quê? Uma escolha consciente? Uma seleção hábil? Não, em absoluto. Foi sorte, nada mais que sorte. A mulher pode amar, segundo sua estrela, um escafandrista, um domador, um trocador de ônibus 36 ou um príncipe. você, Fulana, coube a seguinte sorte: amar um ladrão.” (Extraído e adaptado de Rui Castro, O Anjo Pornográfico: A Vida de Nelson Rodrigues. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p.219-220. 517 palavras.)

Execução: Fundatec 626_NS_3/12/202113:44:59 As questões de números 09 a 16 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas nas linhas 05, 17 e 19 do texto.

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