Língua PortuguesaOutros temasCEPUERJ 2019
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Questão de Língua Portuguesa
CONCURSO PÚBLICO – EDITAL 02/SRH/2018 1) Confira, no CARTÃO-RESPOSTA, se seus dados pessoais, número de inscrição e cargo escolhido estão corretos. 2) Assine e transcreva a frase no CARTÃO-RESPOSTA imediatamente após o seu recebimento. Os cartões que forem entregues fora desse padrão NÃO serão corrigidos. 3) Marque a letra correspondente à sua prova no cartão-resposta, no campo MODELO DE PROVA. Os cartões que não tiverem essa marcação NÃO serão corrigidos. 4) A prova terá duração de quatro horas. 5) Após autorização para o início da prova, verifique, no CADERNO DE QUESTÕES, se as sequências da numeração das questões e da paginação estão corretas. 6) Se houver alguma irregularidade no material recebido comunique a um dos fiscais. 7) Em cima da mesa do candidato, só poderão estar o CARTÃO-RESPOSTA, o CADERNO DE QUESTÕES e1 caneta esferográfica transparente de tinta preta ou azul. 8) Somente as respostas assinaladas no CARTÃO-RESPOSTA serão objeto de correção. 9) Por motivo de segurança, o candidato NÃO poderá anotar seu gabarito em outro local que não seja seu CARTÃO-RESPOSTA. 10) Após o término da prova, entregue ao fiscal o CARTÃO-RESPOSTA e o CADERNO DE QUESTÕES. 11) Por motivo de segurança, o candidato só poderá se ausentar definitivamente do recinto das provas após uma hora contada a partir de seu início. 12) Este CADERNO DE QUESTÕES poderá ser levado pelo candidato faltando trinta minutos para o término da prova. 13) Os três últimos candidatos somente poderão deixar a sala juntos, até que o último entregue a prova, ou até que termine o tempo de duração. Deverão assinar a ata de sala, atestando a idoneidade e a regularidade da finalização da prova. Todos os casos e nomes utilizados nas provas do CEPUERJ são fictícios. Qualquer semelhança com casos reais constitui mera coincidência. Leia o texto I e responda às questões de números 1 a 5. Texto I OS TAIS HIGIENISTAS 1 Careta, 4 dez. 1920 Queria escrever uma longa carta ao Excelentíssimo Senhor doutor Carlos Chagas sobre a sua Saúde Pública e o draconiano regulamento que Sua Excelência acaba de extorquir dos poderes da República. 2 Há muitas presunções profissionais. Há a presunção literária, que é ridícula; há a militar, que é odiosa; há a médica, que é de uma lamentável estreiteza; e muitas outras, porque cada profissão tem a sua presunção e se julga como dominadora de todas as outras, sem perceber que todos os ofícios se entrelaçam e a nossa sociedade é uma rede de artes e mesteres, todos eles necessários a ela. 3 O Senhor Chagas é o mais alto representante da presunção médica. 4 Ele julga que, se há tuberculose, é porque não se decreta tal e qual lei e não se põe a sua execução nas mãos dele e de seus colegas; se há opilação é porque não se açoita o sujeito que anda descalço e não se fuzila o que não constrói fossos sépticos nos fundos do seu “tijupar” ou cousa que o valha; e, assim, por diante. 5 Todos os males da humanidade estariam curados se ela fosse governada por ditadores médicos, auxiliares acadêmicos, mata-mosquitos, etc., etc. 6 O equilíbrio de outras condições da vida atual com as necessidades da higiene, ele não vê. 7 Não vê que é preciso dinheiro para se ter boa alimentação, vestuário e domicílio, condições primordiais da mais elementar higiene; entretanto, por isto ou por aquilo, a maioria da população do Brasil se debate na maior miséria, luta com as maiores necessidades, não podendo obter aqueles elementos de vida senão precariamente, mesmo assim custando-lhe os olhos da cara. 8 Sua Excelência antes de expedir regulamentos minuciosos sobre tantos atos da nossa vida doméstica, devia ter o cuidado de facultar-nos os meios de realizar as suas exigências. 9 O que há em Sua Excelência, é o que há em todos de sua categoria: Sua Excelência nunca conheceu necessidades e afere a vida dos outros pela sua, feliz e rica. 10 Por falar nisto, lembro aqui um caso. 11 Quando morreu o professor Francisco de Castro, suspeitou-se que houvesse sido de peste, que reinava entre nós naquele tempo. 12 Os médicos da Saúde Pública quiseram verificar a cousa; mas a camarilha do doutor Castro, a cuja frente se achava o Senhor Azevedo Sodré, se opôs violentamente que cumprissem o seu dever. Chico Castro não podia morrer de peste bubônica... 13 São assim os nossos ferrabrases de higienistas à prussiana: dois pesos e duas medidas... BARRETO, Lima. In: RESENDE, Beatriz; VALENÇA, Rachel (Org.). Toda Crônica. Rio de Janeiro: Agir, 2004. p. 237-238. v.2. Vocabulário: Ferrabrás: diz-se de quem gosta de se passar por valentão. Mester: ofício; corporação profissional. Tijupar: uma espécie de transição entre maloca e aldeia. ORGANIZADOR
A escolha das palavras em um texto nunca é aleatória. Na crônica, o uso de adjetivos, no 2º parágrafo, é expressivo. O emprego dessa classe de palavras revela um(a):
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
