Língua PortuguesaInterpretação de textosCebraspe 2024
FUNPRESP_24_EXE
Questão de Língua Portuguesa
diretórios, recursos e equipamentos mencionados. Sentimos a dor, mas não a ausência da dor; sentimos a inquietação, mas não a ausência da inquietação; o temor, mas não a segurança. Sentimos o desejo e o anelo, como sentimos a fome e a sede; mas, uma vez satisfeitos, tudo acaba, assim como o bocado que, uma vez engolido, deixa de existir para a nossa sensação. Enquanto possuímos os três maiores bens da vida, saúde, mocidade e liberdade, não temos consciência deles, e só os apreciamos depois de os havermos perdido, porque esses também são bens negativos. Só notamos os dias felizes da nossa vida passada depois de darem lugar aos dias de tristeza. À medida que os nossos prazeres aumentam, tornam-nos cada vez mais insensíveis; o hábito já não é um prazer. Por isso mesmo, a nossa faculdade de sofrer é mais viva; todo hábito suprimido causa um sentimento doloroso. As horas correm tanto mais rápidas quanto mais agradáveis são, tanto mais demoradas quanto mais tristes, porque o gozo não é positivo, diferentemente da dor, cuja presença se faz sentir. O aborrecimento dá-nos a noção do tempo; a distração tira-a. Não se poderia absolutamente imaginar uma grande e viva alegria se esta não sucedesse a uma grande miséria, porque nada há que possa atingir um estado de alegria serena e durável; o mais que se consegue fazer é distrair, satisfazer a vaidade. É por este motivo que todos os poetas são obrigados a colocar os seus heróis em situações cheias de ansiedades e de tormentos, a fim de os livrarem delas: drama e poesia épica só nos mostram homens que lutam, que sofrem mil torturas, e cada romance oferece-nos em espetáculo os espasmos e as convulsões do pobre coração humano. Voltaire, o feliz Voltaire, que tão favorecido foi pela natureza, pensa como eu, quando diz: “A felicidade não passa de um sonho; só a dor é real”. E acrescenta: “Há oitenta anos que o experimento; não sei fazer outra coisa senão resignar-me e dizer a mim mesmo que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas, e os homens, para serem devorados pelos pesares”. Arthur Schopenhauer. Dores do mundo. Rio de Janeiro: Edições de Ouro – Coleção Universidade (com adaptações).
Julgue os itens a seguir, referentes às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente. No fragmento “o mais que se consegue fazer é distrair” (nono período), o termo “mais” classifica-se como advérbio e intensifica o sentido da forma verbal “consegue”.
Mais questões de Interpretação de textos
- FGV“Se se inicia e desenvolve o estudo metódico dos caracteres desse novo e precioso instrumento, vai, concomitantemente, aperfeiçoando-se a capacidade de pensar, da mesma sorte que…
- FundatecNo que diz respeito à flexão, à grafia e à substituição de verbos em trechos retirados do texto, são propostas que NÃO causariam incorreção ou alteração de sentido: I. A substitui…
- FGVObserve a seguinte frase: “Ele ficou esgotado porque correu muito”. A maneira de reescrevê-la que modifica o seu sentido original é:
- FGVO Sistema de Informações da Biblioteca do TJ-PI (SisBib) disponibiliza para a Equipe de Tecnologia de Informação do Tribunal diversas informações sobre os livros disponíveis para…
- FundatecO texto constrói uma argumentação que apresenta a IA simultaneamente como uma força de progresso revolucionário e uma ameaça global à existência. Considerando essa estrutura e os…
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

