Língua PortuguesaInterpretação de textosFUNCAB 2016
Prefeitura de Anápolis - GO
Questão de Língua Portuguesa
EDITAL Nº 042/2015 T CONCURSO PÚBLICO para Maqueiro CÓDIGO D03 TARDE “Fiz a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores.” ATENÇÃO DURAÇÃO DA PROVA: 3 horas e 30 minutos. ESTE CADERNO CONTÉM 50 (CINQUENTA) QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA, CADA UMA COM 5 ALTERNATIVAS DE RESPOSTA – A, B, C, D e E – CONFORME DISPOSIÇÃO ABAIXO. Quantidade Valor de cada Disciplinas de questões Língua Portuguesa 15 Anápolis - aspectos históricos, geográficos e 5 socioeconômicos Conhecimentos Básicos de Saúde Pública 10 questão 2 2 2 2 RESERVE OS 30 (TRINTA) MINUTOS FINAIS www.funcab.org Texto para responder às questões de 01 a 15. O Homem que só tinha certezas Digamos que aparecesse agora, justo aqui no Brasil, mais exatamente, bem aí na sua frente, um homem que só tivesse certezas. O homem que só tinha certezas quase nunca usava ponto de interrogação, e em seu vocabulário não constavam as expressões: talvez, quiçá, quem sabe, porventura. Parece que foi de nascença. Ele já teria vindo ao mundo assim, com todas as certezas junto, pulou a fase dos porquês e nunca soube o que era curiosidade na vida. Na escola, era uma sensação. Mas não ligava muito pra isso não. E cresceu achando muito natural viver derramando afirmações pela boca. Tinha resposta pra tudo, o homem que só tinha certezas. Mas o maior orgulho do homem eram as certezas mais duvidosas que ele tinha. A certeza de que o mais fraco ia vencer, de que as coisas iam melhorar, de que o desenganado ainda teria muitos anos pela frente. A notícia espalhou-se rapidamente. Como ele vivia no meio de pessoas, e pessoas vivem cheias de dúvidas, logo começaram a pedir sua opinião para os mais diversos assuntos, os triviais e os de grande importância, e ele, certo de que podia viver muito bem de suas certezas, virou um consultor. Pendurou em sua porta uma placa onde estava escrito “Consultor de tudo” e o negócio foi crescendo aos pouquinhos. Devido ao boca-a-boca favorável de clientes e a um único anúncio no rádio, passou a atender, sem nenhum exagero, milhares de pessoas por dia, até que limitou o número de consultas diárias para quatrocentos e oitenta, um minuto e meio por pessoa, o que era mais do que suficiente para uma resposta certa desde que a pergunta não fosse muito longa. Chegava gente do país inteiro e depois de outros continentes, pessoas comuns, pessoas ilustres, todas elas indecisas, mas cada pessoa só tinha direito a uma pergunta por consulta, o que as deixava mais indecisas ainda. Certa vez uma moça chegou na dúvida se devia perguntar primeiro sobre o amor ou o trabalho, no que o homem respondeu, sobre o amor, é claro, senão você não vai conseguir trabalhar direito, e deu por encerrada a consulta. O homem que só tinha certezas aconselhou um garoto tímido a tomar quatro cervejas, encorajou um político receoso a aprovar um projeto esquisitíssimo que se destinava a melhorar a vida dos homens, avisou a uma senhora preocupada com os anos que, no caso dela, nada melhor do que beijos na boca. Não demorou muito para se tornar capa de todas as revistas e personagem assíduo dos programas de TV. Para cada pergunta havia uma só resposta certa e era essa que ele dava, invariavelmente, exterminando aos pouquinhos todas as dúvidas que existiam, até que só restou uma dúvida no mundo: será que ele não vai errar nunca? Mas ele nunca errava, e já nem havia mais o que errar, uma vez que não havia mais dúvidas. Num mundo que só tinha certezas, o homem que só tinha certezas virou apenas mais um homem no mundo. Melhor assim, ele pensava, ou melhor, tinha certeza. Um dia aconteceu um imprevisto, e o homem que só tinha certezas, quem diria, acordou apaixonado. Para se assegurar de que aquela era a mulher certa para ele, formulou cento e vinte perguntas, que ela respondeu sem vacilar, mandou fazer mapas do céu, exames de sangue, contagem de triglicerídeos, planilhas complicadíssimas e finalmente apresentou a moça à sua mãe e ao seu cachorro. Os dois se amaram noites adentro, foram a Barcelona, tiraram fotos juntos, compraram álbuns, porta-retratos, garfos, facas, um escorredor de pratos, tiveram filhos e tal, e, desde então, por alguma razão desconhecida, o homem que só tinha certezas foi perdendo todas elas, uma por uma. FALCÃO, Adriana. O doido da garrafa. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2003. p. 75. (adaptado)
O sentido geral do texto corresponde:
Mais questões de Interpretação de textos
- FundatecQuanto à grafia de palavras, analise as seguintes afirmações: I. “reziliência” (l. 03) está grafada corretamente. II. “procastinando” (l. 28) está grafada incorretamente, pois o c…
- FundatecConsiderando a formação do período composto, assinale a alternativa que indica o número de orações que compõem o período a seguir: “Apesar de ser mestre da prosa curta, que marcou…
- FundatecNa linha 34, a expressão “para que” indica e poderia ser substituída por desde que alterações no período. Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacuna…
- FundatecAssinale a alternativa que NÃO apresenta sentido semelhante ao que a palavra “sabotando” (l. 04) tem no texto.
- FundatecAnalise a charge e as asserções abaixo a respeito de sua relação com o texto de Fabrício Carpinejar. Fonte: Gaúcha ZH I. A charge ilustra o assunto principal do texto, POIS II. Am…
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
