Questões de Língua Portuguesa · COMPERVE

Língua PortuguesaOutros temasCOMPERVE 2018

Prefeitura Municipal de Natal

Questão de Língua Portuguesa

Leia estas instruções: Confira se os dados contidos na parte inferior desta capa estão corretos e, em 1 seguida, assine no espaço reservado. Este Caderno contém, respectivamente, 60 questões de múltipla escolha, assim 2 distribuídas: 01 a 10  Língua Portuguesa; 11 a 30  Legislação do SUS; 31 a 60  Conhecimentos Específicos. Se o Caderno estiver incompleto ou apresentar imperfeição gráfica que impeça a 3 leitura, solicite imediatamente ao Fiscal que o substitua. Cada questão apresenta quatro opções de resposta, das quais apenas uma é 4 correta. Interpretar as questões faz parte da avaliação; portanto, não peça 5 esclarecimentos aos fiscais. A Comperve recomenda o uso de caneta esferográfica, confeccionada em 6 material transparente, de tinta na cor preta. Utilize qualquer espaço em branco deste Caderno para rascunhos e não destaque 7 nenhuma folha. Os rascunhos e as marcações que você fizer neste Caderno não serão 8 considerados para efeito de avaliação. Você dispõe de, no máximo, quatro horas para responder às questões de múltipla 9 11 e este Caderno. Assi nat ura d o Can di dat o: Prefeitura Municipal de Natal  SMS  Concurso Público 2018 Hoje é semente do amanhã. (Gonzaguinha) 01 a 10 As questões de 01 a 10 desta prova são baseadas no texto a seguir. Gente como a gente Por Eduardo Szklarz e Karin Hueck 1º Conheci a Sandra em 2013, numa prisão de Buenos Aires. Ela tinha aspecto largado e a expressão triste de quem havia sido separada do filho ainda pequeno. Nascida na Alemanha, ela já havia passado 20 anos atrás das grades na Argentina e ignorava todas as visitas que recebia, inclusive a minha. Não quis me olhar nos olhos. Era como se eu – ou ela – não estivesse ali. 2º No ano seguinte, advogados de Sandra entraram com pedido de habeas corpus, alegando que seu encarceramento era cruel e injustificado. Por um motivo simples: ela não havia cometido crime algum. Estava presa só por ser um animal. Sandra é um orangotango, e a prisão é o zoológico de Buenos Aires. 3º A Justiça argentina acatou o pedido feito pela Afada, uma ONG de direitos dos animais. Assim, Sandra tornou-se o primeiro animal no mundo a ser reconhecido como “pessoa não humana” – e, portanto, “sujeito de direitos” que devem ser respeitados. Inclusive o direito de não ser explorada para divertimento humano. Sandra ainda aguarda definição sobre seu destino, mas seu caso serviu de precedente para a libertação de outros grandes primatas. 4º Com essa decisão, os tribunais admitiram, pela primeira vez, o que a ciência já sabe faz um tempo: os animais não são assim tão diferentes de nós. Já foi provado que centenas de espécies têm inteligência, emoções e relações sociais complexas. Assim como nós, vacas fazem amizade. Chimpanzés sentem inveja e vergonha. Galinhas têm noção de futuro. Polvos usam ferramentas e constroem abrigos. 5º Mas, acima de tudo, como vi nos olhos de Sandra, animais têm a capacidade de sofrer. Até os menos desenvolvidos, como lagostas e peixes, que não fazem cara feia quando sentem dor. Se você injetar veneno de abelha nos lábios de uma truta, ela vai parar de c omer e esfregar a boca contra a parede do tanque. Se você furar caranguejos com um anzol, eles vão passar as garras no lugar da lesão. E, se você passar ácido acético (um irritante) nas antenas de um camarão, ele vai massageá-las com as patas da frente – mas não se você aplicar anestesia antes. “Isso não é mero reflexo”, diz o biólogo Robert Elwood, da Queen’s University, na Irlanda do Norte. “É um comportamento prolongado e totalmente consistente com a ideia de dor.” 6º Mais de 2.500 estudos científicos já mostraram que os animais são seres tão complexos quanto nós – ainda que não sejamos idênticos. Mas fingimos que não sabemos disso, e seguimos tratando-os como se fossem inanimados. 7º Como conseguimos conciliar esses dois fatos? Por que torturamos outro s bichos como Sandra, mesmo sabendo que eles sofrem? 8º Toda a nossa relação com os bichos é esquisita e irracional. Dividimos o reino animal em castas, que merecem mais ou menos direitos, de acordo com a sua utilidade. Há espécies, como as que nos servem de alimento, que são especialmente maltratadas. Multipli camos de propósito bois, porcos e galinhas (só de galinhas, há 20 bilhões no planeta), apenas para confiná-los, criá-los em condições degradantes e depois matá-los. O ser humano sempre comeu carne – mas precisa tratar suas presas com tanta frieza? Frangos têm os bicos serrados para não praticar canibalismo dentro das gaiolas. Filhotes de boi são arrancados de suas mães e mantidos anêmicos para ficar com a carne macia. Milhares de peixes morrem todos os dias em redes que eram destinadas a matar outras espéci es – e tudo bem. Além dos bichos que vão parar no nosso prato, há os que sacrificamos em nome do progresso. Cobaias de laboratório, por exemplo, nascem para ser torturadas até a morte. Fabricantes de cosméticos ainda gotejam xampu em coelhos imobilizados, que não podem piscar enquanto o produto corrói seus olhos. Já macacos bebês são trancados em jaulas e expostos a serpentes, choques e ruídos para desenvolver ansiedade e depressão e ter seus cérebros dissecados depois. Apenas nos EUA, 25 milhões de bichos são usados em experimentos, o equivalente a uma Austrália de animais humanos. SMS  Concurso Público 2018  Enfermeiro Obstetra  Hoje é semente do amanhã. 1 9º Mas difícil mesmo é tentar justificar o que fazemos com os animais de que gostamos. Quem tem cachorro e gato, por exemplo, jura que ama seus bichinhos mais do que tudo. No Brasil, 61% dos donos de pets consideram seus animais um membro da sua família. Nos EUA, 36% compram presentes de aniversário para seus bichinhos. Mas ninguém em sã consciência trataria um parente Homo sapiens como trata um Canis familiaris ou um Felis catus. Pets são cruzados entre si para gerar raças deformadas e com graves problemas genéticos apenas porque as consideramos “ fofas”. Todos são arrancados de suas mães e confinados dentro de espaços limitados até o dia de sua morte. Escolhemos quando, quanto e o que vão comer. Decidimos se poderão ficar com seus órgãos genitais ou não . E temos a palavra final até sobre quando serão sacrificados. Isso sem falar de outros animais de estimação, como canários, peixinhos dourados ou hamsters, que passam a vida em celas solitárias que chamamos de gaiolas e aquários. Há correntes de filósofos e ativistas de direitos animais que apontam essas contradições para dizer que, não, adotar um bicho não é necessariamente bom para eles. 10º Em comum, todos os animais – os que amamos, os que odiamos, os que comemos – sofrem da mesma condição: são considerados posse dos seres humanos. E, como nossa posse, podem ser dispostos da maneira como quisermos. Essa noção, claro, é uma convenção: uma ideia que se espalhou há séculos e serve como manual de como tratar seres de duas, quatro, seis, oito ou nenhuma pata. É o que cientistas chamam de especismo – a noção de que o Homo sapiens é uma espécie superior, sagrada e incomparável, e que os diferentes de nós não merecem os mesmos direitos. Essa lógica não é parecida com outros discursos de superioridades que você já ouviu por aí? SZKLARZ, Eduardo; HUECK, Karen. Gente como a gente. Superinteressante. São Paulo, Editora Abril, Nº 385, Fevereiro, 2018. [Adaptado]

O propósito comunicativo principal do texto orienta -se para

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.