Questões de Língua Portuguesa · NC-UFPR

Língua PortuguesaInterpretação de textosNC-UFPR 2023

PROGEPE IFPR Edital n° 160 - EBTT e Edital n° 162 - TAE

Questão de Língua Portuguesa

Concurso Público – Edital n.º 160/2022 Prova objetiva – 21/05/2023 Questão 301 – Administração INSTRUÇÕES DURAÇÃO DESTA PROVA: 3 HORAS ........................................................................................................................................................................................................... RESPOSTAS Questão 01 – 06 - 11 - 16 - 21 - 26 - 31 - Questão 02 – 07 - 12 - 17 - 22 - 27 - 32 - Questão 03 – 08 - 13 - 18 - 23 - 28 - 33 - Questão 04 – 09 - 14 - 19 - 24 - 29 - 34 - Questão 05 – 10 - 15 - 20 - 25 - 30 - 35 - O texto a seguir é referência para as questões 01 a 05. Violência e culpa Natalia Pasternak 1 [...] Historicamente, ciência e sociedade não estiveram ao lado de mulheres vítimas de violência. Há apenas três décadas, em 1985, 2 houve tentativa na Associação Americana de Psiquiatria de incluir, no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 3 (DSM), o Transtorno de Personalidade Masoquista, abraçando a ideia freudiana – ultrapassada há tempos – de que a mulher fica 4 com o agressor porque aprecia o sofrimento. A proposta foi criticada duramente por mulheres psiquiatras e psicólogas. Não há 5 evidência científica para justificar o diagnóstico. Era apenas uma tradução do senso comum patriarcal de boteco para o “psiquiatrês”. 6 Acuados, os psiquiatras trocaram o masoquismo por “Transtorno de Personalidade Autodestrutiva”, uma versão suavizada do 7 diagnóstico anterior, mas que ainda assim daria margem para que mulheres encurraladas em relacionamentos terríveis fossem 8 vistas “cientificamente” não como vítimas de um crime, mas como gente que precisa de terapia. 9 Mas à medida que temos mais mulheres de destaque fazendo ciência, absurdos assim vão sendo expostos e escancarados. Em 10 1988, a psicóloga Paula Caplan e a socióloga Margrit Eichler resolveram fazer uma nova sugestão de transtorno para ser incorporado 11 ao DSM: o Transtorno de Personalidade Dominadora Delirante. 12 Os requisitos para um paciente enquadrar-se eram, entre outros: ser incapaz de expressar sentimentos e de se colocar no lugar dos 13 outros; usar poder, silêncio ou ausência para evitar qualquer tipo de negociação ao lidar com conflito; acreditar que as mulheres são 14 responsáveis por tudo de ruim que acontece com esse paciente, enquanto todas as coisas boas são resultado de seus próprios 15 esforços e habilidades; necessidade incontrolável de exagerar suas conquistas e diminuir as conquistas de mulheres [...]. 16 Elas não conseguiram aprovar a inclusão no DSM, mas exigiram que os mesmos critérios de exclusão aplicados à proposta fossem 17 adotados globalmente. A alegação (verdadeira) de que não havia pesquisa científica para embasar o transtorno delirante deveria 18 também pesar sobre o diagnóstico de personalidade autodestrutiva, que aliás tinha sido aprovado em votação, e não com base em 19 revisão da evidência! A vitória foi parcial: o transtorno autodestrutivo acabou aprovado, mas como um anexo, uma subcategoria, e 20 não como uma doença “própria”. E a redação incluiu a ressalva de que não deveria ser usado para violência doméstica. 21 Ciência não existe no vácuo, mas sim dentro de contexto social e histórico. Já houve diversas tentativas de sequestrar o jaleco e o 22 microscópio para justificar machismo, racismo e outras ideias que, em diferentes momentos da história, fizeram parte do senso 23 comum da elite de onde, tradicionalmente, são recrutados os cientistas. Aumentar a representatividade dentro da ciência é uma das 24 maneiras de evitar que estas distorções sigam prejudicando pessoas e influenciando políticas públicas. Disponível em: https://oglobo.globo.com/blogs/a-hora-da-ciencia/post/2023/03/violencia-e-culpa.ghtml. Adaptado.

No que diz respeito aos elementos coesivos do texto, assinale a alternativa correta.

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.