Questões de Língua Portuguesa · FUNCAB

Língua PortuguesaOutros temasFUNCAB 2016

Prefeitura de Santa Maria de Jetibá - ES

Questão de Língua Portuguesa

EDITAL Nº 001/2016 T CONCURSO PÚBLICO para Arquiteto Urbanista CÓDIGO S43 “Aquele que domina os outros é forte. Aquele que domina a si mesmo é poderoso." ATENÇÃO DURAÇÃO DA PROVA: 3 horas e 30 minutos. ESTE CADERNO CONTÉM 50 (CINQUENTA) QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA, CADA UMA COM 5 ALTERNATIVAS DE RESPOSTA – A, B, C, D e E – CONFORME DISPOSIÇÃO ABAIXO. Quantidade de Valor de cada Disciplinas questões questão Língua Portuguesa 15 Ética e Legislação na Administração Pública 10 Informática Básica 10 Conhecimentos Específicos 15 2 0,5 0,5 4 RESERVE OS 30 (TRINTA) MINUTOS FINAIS www.funcab.org Texto para responder às questões de 01 a 15. O encontro Maria da Piedade Lourenço era uma mulher miúda e nervosa, com uma cabeleira pardacenta, malcuidada, erguida, como uma crista, no alto da cabeça. Ludo não conseguia distinguir-lhe os pormenores do rosto. Todavia, deu pela crista. Parece uma galinha, pensou, e logo se arrepende por ter pensado aquilo. Andara nervosíssima nos dias que antecederam a chegada da filha. Quando esta lhe surgiu à frente, porém, veio-lhe uma grande calma. Mandou-a entrar. A sala estava agora pintada e arranjada, soalho novo, portas novas, tudo isso às custas do vizinho, Arnaldo Cruz, que também fizera questão de oferecer as mobílias. Comprara o apartamento a Ludo, concedendo-lhe o usufruto vitalício do mesmo, e comprometendo-se a pagar os estudos de Sabalu até este concluir a universidade. A mulher entrou. Sentou-se numa das cadeiras, tensa, agarrada à bolsa como a uma boia de salvação. Sabalu foi buscar chá e biscoitos. Não sei como a hei de chamar. Pode chamar-me Ludovica, é o meu nome. Um dia poderei chamá-la mãe? Ludo apertou as mãos de encontro ao ventre. Podia ver, através das janelas, os ramos mais altos da mulemba. Nenhuma brisa os inquietava. Sei que não tenho desculpa, murmurou: Era muito nova, e estava assustada. Isso não justifica o que fiz. Maria da Piedade arrastou a cadeira para junto dela. Pousou a mão direita no seu joelho: Não vim a Luanda para cobrar nada. Vim para a conhecer. Quero levá-la de volta para a nossa terra. Ludo segurou-lhe a mão: Filha, esta é a minha terra. Já não me resta outra. Apontou para a mulemba: Tenho visto crescer aquela árvore. Ela viu-me envelhecer a mim. Conversamos muito. A senhora há de ter família em Aveiro. Família?! Família, amigos, eu sei lá. Ludo sorriu para Sabalu, que assistia a tudo, muito atento, enterrado num dos sofás: A minha família é esse menino, a mulemba lá fora, o fantasma de um cão. Vejo cada vez pior. Um oftalmologista, amigo do meu vizinho, esteve aqui em casa, a observar-me. Disse-me que nunca perderei a vista por completo. Resta-me a visão periférica. Hei de sempre distinguir a luz, e a luz neste país é uma festa. Em todo o caso, não pretendo mais: A luz, Sabalu a ler para mim, e a alegria de uma romã todos os dias. AGUALUSA, José Eduardo. Teoria Geral do Esquecimento. Rio de Janeiro: Foz, 2012.

Sobre o texto leia as afirmativas a seguir. I. A inevitabilidade do encontro com o passado se dá quando Maria da Piedade Lourenço, filha de Ludo, a conhece pessoalmente. II. O primeiro momento é de estranhamento. Depois, há a tentativa de fuga de Ludo para evitar o reconhecimento dos fatos. III. Por fim, a aceitação de que, sem o reconhecimento de lembranças, só há esquecimento. IV. Em sua memória, Ludo se recupera de seu lugar primeiro com uma facilidade indiscutível. Seu corpo para ela é uma realidade próxima ao mundo e aos outros corpos. Está correto apenas o que se afirma em:

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.