Língua PortuguesaOutros temasCETAP 2019
Prefeitura Municipal de Maracanã
Questão de Língua Portuguesa
Brasil Vilão "Tornou-se habitual a divulgação copiosa de relatórios produzidos por ONGS do Primeiro Mundo sobre miséria, violência e desmatamento em países de Terceiro (...) Bem aquinhoado nos três quesitos, o Brasil é um dos alvos preferenciais desses levantamentos (...)" O efeito prático da divulgação das estatísticas é muito positivo. Há um choque na opinião pública, as autoridades procuram se mexer para preservar a impressão de que estão fazendo alguma coisa. Cresce, de qualquer forma, a consciência dos problemas que o hábito impede cada um de nós, ao contrário do estrangeiro, de ver. O risco é que essa mentalidade reforce o mito de que existe um maniqueísmo entre Primeiro e Terceiro Mundo, entre eles (os heróis) e nós (vilões). Desse ângulo, os países ricos seriam o paraíso dos direitos, das oportunidades iguais e da vitória do mérito, em oposição à lei da selva dos países pobres. Isso é verdade, mas não é toda a verdade. Os países ricos reduziram a injustiça, o privilégio e o preconceito não porque foram acometidos de uma consciência moral superior, mas porque esses problemas eram obstáculos à mercantilização da sociedade como um todo. A igualdade decorre também do efeito uniformizador do dinheiro, conforme ele passa a mediar todas as relações. Nos países pobres, ao contrário, regiões imensas da vida social ainda não foram incorporadas à lógica da mercadoria. Fora do campo estritamente econômico (e às vezes até dentro dele), nos domínios da vida familiar e pessoal, da religião, do prazer etc, não existem as regras de equivalência baseadas na impessoalidade dos direitos. O resultado é que nessas regiões selvagens campeia tanto a violência quanto a sensualidade, tanto a desordem e o mandonismo quanto a liberdade pessoal. O sonho de todos os profetas reformadores do Brasil moderno, de Oswald de Andrade a Glauber Rocha ou Caetano Veloso, foi conciliar os valores das duas civilizações. (...) Céticos ou crédulos, não sejamos ingênuos. A instalação de uma cultura de direitos (o que sempre coincidiu, até agora, com o império da mercadoria) corrige defeitos ao mesmo tempo em que destrói qualidade. Nossa biodiversidade existencial é a primeira vítima nesse processo em curso, com tudo o que ela tem de ruim e bom. (FRIAS FILHO, Otávio. De ponta-cabeça: fim de milênio em 99 artigos de jornal. São Paulo: Editora 34, 2000. p.142)
"Fora do campo estritamente econômico (...)", o vocábulo "campo", no excerto, apresenta valor semântico de:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
