Língua PortuguesaOutros temasUEG 2014
PROCESSO DE SELEÇÃO PÚBLICA - HUGO 2
Questão de Língua Portuguesa
1 Será que se livrar das rotinas é se libertar? Não consigo pensar em efetuar intervenções ou 2 mudanças na vida sem hábitos bem estabelecidos. Vejo essas ordenações como Arquimedes via o ponto 3 de apoio e a alavanca com a qual pretendia mover o mundo. Eu diria: "Dê-me uma rotina e uma vontade de 4 mudar para mudar o mundo". 5 Sem rotina, invenção é difícil. Sem rotina, não existiria nem jeitinho - coisa tão nossa, com a qual 6 abrimos novos caminhos. Sem rotina, com tudo permitido, na ausência de ordenação, como e com que 7 romper? Não tenho em mente a rotina das máquinas, que se repetem sem saber por quê. Falo daquela 8 ordem que resulta de múltiplos acertos e erros. É sempre melhor lavar o rosto só depois de lavar os dentes, 9 tudo para não sujar com a pasta o rosto já lavado. Sabia? Mínimos detalhes do cotidiano não estão aí à toa. 10 Têm uma razão de ser. 11 Ter lugar para as coisas pode chegar a ser uma obsessão, mas pode ser também o melhor jeito de 12 não ter que procurá-las a cada vez que precisamos delas, perdendo preciosos minutos. Ordem e rotina 13 sagradas e intocáveis paralisam as mudanças. Mas, entre rotina sagrada e vida sem qualquer rotina, vai 14 uma boa distância. Felizmente. 15 Uma boa mãe atende aos resmungos de seu bebê. A partir da certeza de ser atendido, ele vivencia 16 suas primeiras rotinas: sabe que quando reclama provavelmente será atendido. Pouco a pouco, vai usufruir 17 dessa constância repetitiva e perceber algumas coisas como familiares e outras como estranhas. Conforme 18 as estranhas se repetem, vão sendo incorporadas ao universo conhecido. Se o bebê viver imerso num 19 mundo com falta de previsibilidade, olhará o mundo apreensivamente. Tem gente que passa a vida só 20 evitando surpresas. Os carcereiros vigilantes também são prisioneiros de quem cuidam e não querem saber 21 de surpresas. 22 A rotina é, pois, não só o sustentáculo da liberdade mas também o aprisionamento dela. Incapazes 23 de usar a rotina, perdemos a segurança necessária para criar e ser livre. É porque certas certezas existem 24 que eu posso usar a minha mente para brincar, inventar, criar coisas novas. As rotinas geram confiabilidade 25 no mundo que nos rodeia e permitem libertar nossa atenção para divagar por terras novas. Uma barra 26 rígida sem ponto de apoio não é alavanca, diria Arquimedes. É conhecendo os fenômenos do mundo que 27 posso mudá-lo. É com a confluência dos dois que gero a força para mover o mundo. Educar para a rotina, 28 ao contrário do que se possa crer, é uma forma de gerar liberdade. Imponha-se rotina para que as crianças 29 possam se exercitar em contorná-la. MAUTNER, Anna Veronica. O caráter revolucionário das rotinas. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq3008200703.htm>. Acesso em: 29 jul. 2014. (Adaptado).
No texto, a autora defende a tese de que
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

