Língua PortuguesaOutros temasFundatec 2024
Prefeitura Municipal de Marau/RS Concurso Público Nº
Questão de Língua Portuguesa
CONCURSO PÚBLICO Nº 01/2024 ARQUITETO Leia atentamente e cumpra rigorosamente as instruções que seguem, pois elas são parte integrante das provas e das normas que regem esse certame. 1. Atente-se aos avisos contidos no quadro da sala e aguarde o 2º sinal sonoro para abrir este caderno de questões e iniciar a prova. 2. Seus pertences deverão estar armazenados dentro do saco plástico fornecido pelo fiscal, permanecendo em sua posse somente caneta esferográfica de ponta grossa, de material transparente, com tinta preferencialmente preta, documento de identidade, lanche e água, se houver. A utilização de qualquer material não permitido em edital é expressamente proibida, acarretando a sua imediata exclusão do certame. 3. Após o 2º sinal, certifique-se de que este caderno de questões: - contém 40 (quarenta) questões; - refere-se ao cargo para o qual realizou a inscrição. 4. Cada questão oferece 5 (cinco) alternativas de respostas, representadas pelas letras A, B, C, D e E, sendo apenas 1 (uma) a resposta correta. 5. Será respeitado o tempo para realização da prova conforme previsto em edital, incluindo o preenchimento da grade de respostas. 6. Os três últimos candidatos deverão retirar-se da sala de prova ao mesmo tempo, devendo assinar a Ata de Prova. 7. A responsabilidade referente à interpretação dos conteúdos das questões é exclusiva do candidato. 8. No caderno de questões, você poderá rabiscar, riscar e calcular. 9. Os gabaritos preliminares da prova objetiva serão divulgados na data descrita no Cronograma de Execução desse certame. QR code V1_24/01/2025 14:26:04 Utilize esse espaço para anotar suas respostas *A anotação neste rascunho NÃO substitui o preenchimento da grade de respostas. 949_LP_CG_NS_DM 06/02/2025 14:46:05 O morador Por Rubem Braga 01 De repente me ocorre que estou cansado de morar nesta casa. Durante demasiados anos 02 vivi de casa em casa, de quarto em quarto, de cidade em cidade, para que não sentisse esse 03 desgosto sutil de estar parado na mesma esquina, embora quieta, embora boa. Minha vida 04 aportou aqui sem dizer que ia ficar, tal como a canoa do pescador que para junto a uma pedra, 05 sem saber se é por meia hora ou pelo dia inteiro. 06 Aos poucos me levantei. As caras permanentes da rua foram se fixando no fundo de meus 07 olhos. Um dia encontrei, no centro da cidade, um empregado do armazém da esquina e achei 08 tão absurdo vê-lo ali como se, entrando em um Ministério eu encontrasse, no gabinete, o gato 09 ruivo de minha vizinha. Custei a reconhecer a cara familiaríssima do rapaz. Seria, talvez, um 10 garçom de Belo Horizonte ou o funcionário de um jornal de Porto Alegre... Não consegui 11 descobrir. No dia seguinte ele passou sob a minha janela, como passa várias vezes por dia, em 12 sua bicicleta, e tive um sobressalto. Também já me aconteceu cumprimentar, distraído, na saída 13 de um cinema, uma moça loira de pele muito queimada; cumprimentei-a sem saber exatamente 14 quem era, mas sentindo que era uma pessoa muito conhecida, talvez irmã de algum amigo. Ela 15 respondeu de um modo meio reticente, meio surpreso. Fiquei embaraçado. Depois, descobri que 16 não tenho relações com essa moça, apenas a conheço de vista, da minha rua, onde nunca me 17 ocorreria cumprimentá-la. 18 O mecanismo da cordialidade humana não é muito simples. Sempre corro o perigo de 19 cumprimentar efusivamente, quando encontro, de súbito, um desafeto qualquer: antes de me 20 dar conta de quem se trata, eu o saúdo porque é uma cara conhecida. Mas, a rua subitamente 21 me cansa. Parece que sou escravo de seus hábitos. Sei precisamente a hora em que a “vaca 22 leiteira” aparece e as empregadas das casas saem apressadas, de latas e garrafas na mão, para 23 a pequena fila de leite; conheço todos os pregões e os carteiros, os meninos que esperam o 24 ônibus do colégio, o apartamento que fica aceso ao longo das madrugadas. Conheço até alguns 25 automóveis e os fregueses do boteco perto do mar, o idiota com quem os moleques mexem, a 26 mocinha tão bonita que de repente ficou magra, triste, esquisita... Sem indagar, sem na 27 realidade saber o nome de ninguém, vou sem querer considerando tudo isso como parte de 28 minha própria vida. Seria doce mudar, de casa ou de país. 29 Sei, por experiência, que tudo isso que parece tão estabelecido em minha vida se diluirá 30 com facilidade e até o número da casa e do telefone serão esquecidos, e toda essa gente e todas 31 essas coisas se apagarão em lembranças remotas. Como sempre, voltando um dia por acaso a 32 esta esquina, é possível que eu tenha alguma saudade, mas bem maior será o secreto prazer de 33 pensar que me livrei de tudo, das ternuras e aborrecimentos desta rua, que tudo ficou para trás 34 como uma estação sem interesse, apenas mais uma estação, nesta viagem em demanda de 35 coisa alguma. (Disponível em: cronicabrasileira.org.br/cronicas/20236/o-morador – texto adaptado especialmente para esta prova).
Com base no texto, assinale a alternativa correta.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
