Questões de Língua Portuguesa · Fundatec

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Prefeitura Municipal de Tunas/RS Concurso Público N°

Questão de Língua Portuguesa

CONCURSO PÚBLICO Nº 001/2022 Leia atentamente e cumpra rigorosamente as instruções que seguem, pois elas são parte integrante das provas e das normas que regem esse certame. 1. Atente-se aos avisos contidos no quadro da sala. 2. Seus pertences deverão estar armazenados dentro de embalagem específica fornecida pelo fiscal, permanecendo em sua posse somente caneta esferográfica de ponta grossa, de material transparente, com tinta preta, documento de identificação, lanche e água, se houver. A utilização de qualquer material não permitido em edital é expressamente proibida, acarretando a sua imediata eliminação do certame. 3. Certifique-se de que este caderno: - contém 40 (quarenta) questões; - refere-se ao cargo para o qual realizou a inscrição. 4. Cada questão oferece 5 (cinco) alternativas de respostas, representadas pelas letras A, B, C, D e E, sendo apenas 1 (uma) a resposta correta. 5. Será respeitado o tempo para realização da prova conforme previsto em edital, incluindo o preenchimento da grade de respostas. 6. Os três últimos candidatos deverão retirar-se da sala de prova ao mesmo tempo, devendo assinar a Ata de Prova. 7. A responsabilidade referente à interpretação dos conteúdos das questões é exclusiva do candidato. 8. No caderno de prova, você poderá rabiscar, riscar e calcular. 9. Os gabaritos preliminares da prova objetiva serão divulgados na data descrita no Cronograma de Execução desse certame. . QR code V1_13/09/2022 11:53:48 Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões. Aviãozinho Por Luís Fernando Verissimo 01 A estratégia do falso aviãozinho que todas as mães do mundo ― literalmente: todas ― 02 usam para convencer o bebê a comer sua papinha e é tão antiga quanto o próprio avião, não 03 tem nenhuma lógica. Para começar, é pouco provável que um bebê na idade de comer papinha 04 sequer saiba o que é um avião. A mãe fazer o ruído do motor enquanto aproxima o 05 pseudoaviãozinho da sua boca não ajuda em nada, o bebê também não sabe como é barulho de 06 avião. Para ele, aquilo é apenas outro barulho de mãe. 07 Em segundo lugar, não há qualquer razão para um bebê aceitar papinha de um avião que 08 não aceitaria de uma colher. No seu universo, avião e colher é a mesma coisa. Navio e colher é 09 a mesma coisa. Se o bebê, por um fenômeno de precocidade, se desse conta do surrealismo da 10 cena ― "Abre a boquinha que lá vai o aviãozinho"?! ― isso seria mais causa para espanto do 11 que para abrir a boca. Quem quer comer papinha com um avião se aproximando da sua boca, 12 fazendo barulho? 13 Pensando bem, nossa infância era cheia de surrealismo inconsciente, de ameaças e 14 sentenças que só não nos paralisavam de medo ou perplexidade porque não pensávamos muito 15 a respeito. Não me lembro de ficar muito impressionado com a informação de que eu só não 16 perdia a cabeça porque ela estava presa no corpo, por exemplo. Hoje, sim, penso naquela terrível 17 possível consequência da minha distração ― ir embora e deixar a cabeça em algum lugar! Ou, 18 já que o cérebro estava na cabeça, pelo menos a maior parte, me dar conta de que meu corpo 19 tinha me esquecido. Sem poder gritar, sem poder sequer assoviar, já que os pulmões tinham ido 20 junto. Uma cabeça abandonada no mundo, incapaz de sequer se alimentar. 21 A não ser, claro, que um aviãozinho surgisse, misteriosamente, do passado, carregado 22 de papinha, para me salvar. Pulseira dourada Mais lembranças inúteis. Tinha eu meus 7 anos... 23 Se você quiser parar por aqui, tudo bem. Não, não, nenhum constrangimento. Vá ler o resto do 24 jornal, aqui você só estaria perdendo tempo. O que é isso? Eu entendo. Numa boa. Eu mesmo 25 só fico porque preciso botar o ponto final. Mas tinha eu meus 7 anos e morávamos em Los 26 Angeles. Meu pai lecionava na UCLA, eu e minha irmã frequentávamos uma escola perto de casa. 27 E me apaixonei por uma menina da escola. Uma daquelas paixões dos 7 anos, terrível e, no meu 28 caso, secreta e silenciosa. Os donos da casa que alugávamos tinham deixado uma bijuteria mal 29 escondida atrás de uns livros, numa prateleira da sala. Uma pulseira dourada dentro de uma 30 caixa. Um dia, tomei a decisão. Meu amor justificava tudo, até o crime. Peguei a pulseira e a 31 levei, escondida, para a escola. Na saída, entreguei a caixa para ___ menina ― e saí correndo. 32 Em casa nunca deram falta da pulseira. A menina nunca disse nada sobre o presente. Eu, 33 obviamente, nunca mencionei o fato para ninguém, muito menos para a menina ― com quem, 34 aliás, nunca troquei nem um tímido "hello". A história termina aqui. Eu avisei que você ia perder 35 tempo. Mas ___ vezes penso naquela pulseira e imagino coisas. Chegar, um dia, nos Estados 36 Unidos e alguém da imigração americana consultar um computador e dizer "Há a questão de 37 certa pulseira dourada na Califórnia, Mr. Verissimo...". Estar assistindo ___ entrevista de alguma 38 atriz famosa na TV e ela contar que um dia, quando tinha 7 anos, um garoto estranho lhe 39 entregara uma pulseira e saíra correndo, e mostrar a pulseira dourada, que lhe dera sorte, que 40 era responsável pelo seu sucesso, e que ela nunca pudera agradecer... Pelo menos minha vida 41 de crimes acabou ali. Post scriptum tipo nada a ver com nada. Muitos anos depois visitei o bairro 42 em que morávamos em Los Angeles e fui procurar a escola, palco do meu gesto tresloucado. 43 Tinha sido destruída por um terremoto. (Disponível em: Cultura Genial – https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-de-luis-fernandoverissimo-comentadas/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que NÃO indica uma informação verdadeira de acordo com Luís Fernando Veríssimo em seu texto “Aviãozinho”.

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.