Questões de Língua Portuguesa · CPCON

Língua PortuguesaInterpretação de textosCPCON 2019

Prefeitura Municipal de Cuitegi

Questão de Língua Portuguesa

Sala. (duas) horas. 05 É vetado, durante a prova, o intercâmbio ou empréstimo de material de qualquer natureza entre os candidatos, bem como o uso de celulares, calculadoras e/ou qualquer outro tipo de equipamento eletrônico. A fraude, ou tentativa, a indisciplina e o desrespeito às autoridades encarregadas dos trabalhos são faltas que eliminam o candidato. conferência. P MC2 0 1 8 - ANAL I S T A C. I NT E RNO Leia o texto a seguir para responder às questões de1a7. O padeiro 01 Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento — mas 02 não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre 03 a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o 04 trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem 05 o que do governo. 06 Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando 07 de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a 08 campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando: 09 —Não é ninguém, é o padeiro! 10 Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo? 11 “Então você não é ninguém?” 12 Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha 13 de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro 14 perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não, senhora, é o padeiro”. 15 Assim ficara sabendo que não era ninguém… 16 Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava 17 falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho 18 noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina — 19 e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, 20 como pão saído do forno. 21 Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para 22 casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal 23 e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele 24 homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!” E assobiava pelas escadas. 25 BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. 27 ed. Rio de Janeiro: Record, 2010.p. 319.

O texto de Rubem Braga pertence ao gênero crônica.Acaracterização do texto acima se dá como crônica porque I- trata temas do cotidiano com humor sustentando um ponto de vista sem perder a leveza. II- é um gênero textual vinculado a uma experiência do cotidiano. III- há uma espécie de leveza na construção do texto, que se exprime na escolha da linguagem e da temática, próprias desse gênero. IV- utiliza-se da metalinguagem, ou seja, fala sobre si mesma, sobre a sua forma de produção. Está CORRETO o que se afirma apenas em

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.