Questões de Língua Portuguesa · Vunesp

Língua PortuguesaInterpretação de textosVunesp 2025

Pref Osasco

Questão de Língua Portuguesa

Processo seletivo 001. Prova objetiva coNDUtor De veÍcUlos De UrGÊNciA – sAMU prova, assinando termo respectivo. Confidencial até o momento da aplicação. Prédio sala carteira Confidencial até o momento da aplicação. Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 04: As pessoas que defendem o pastoral e a volta ao primitivo, ao enaltecer a vida rústica, nunca se lembram dos insetos. Sempre que ouço alguém descrever as delícias de um acampamento – ah, dormir no chão, fazer fogo com gravetos e ir ao banheiro atrás do arbusto – me espanto um pouco mais com a variedade humana. Somos todos da mesma espécie, mas o que encanta uns horroriza outros. Sou dos horrorizados com a privação deliberada. Muitas gerações contribuíram com seu sacrifício e seu engenho para que eu não precisasse fazer mais nada atrás do arbusto. E a verdade é que, mesmo para quem não tem os meus preconceitos, as delícias do primitivo nunca são exatamente como as descrevem. Aquela casinha à beira de uma praia escondida, onde a civilização ainda não chegou e tudo é bom e puro, não existe. E se existe, nunca é bem assim. – Um paraíso! Não há nem um armazém por perto. Quer dizer, não há acesso à aspirina, fósforos ou qual quer tipo de leitura salvo, talvez, metade de uma revista “Cigarra” de 1948, deixada pelos últimos ocupantes da casa quando foram carregados pelos mosquitos. – A gente dorme ouvindo o barulho do mar... E de animais terrestres e anfíbios tentando entrar na casa para morder o seu pé. E, se morder, você morre. O anti biótico mais próximo fica a 100 quilômetros e está com a data vencida. Não. Fico na cidade. Não sei como se chamaria o medo de não ter o que ler. Existem as conhecidas claustrofobia (medo de lugares fechados) e agorafobia (medo de espaços abertos) e as menos conhecidas ailurofobia (medo de gatos) e iatrofobia (medo de médicos), mas o pânico de estar, por exemplo, num quarto de hotel, com insônia, sem nada para ler não sei que nome tem. É uma das minhas neuroses. Alguns hotéis brasileiros imitam os americanos e dei xam uma Bíblia no quarto, e ela tem sido a minha salvação. A Bíblia tem tudo para acompanhar uma insônia: enredo fantástico, grandes personagens, romance, ação, paixão, violência – e uma mensagem positiva. Mas, e quando não tem nem a Bíblia? Uma vez liguei para a telefonista de madrugada e pedi uma revista. – Desculpe, cavalheiro. Infelizmente, não tenho nenhuma revista. – Não é possível! O que você faz durante a noite? – Tricô. Uma esperança! – Com manual? – Não. Danação. – Você não tem nada para ler? Na bolsa, sei lá. – Bem... Tem uma carta da mamãe. – Manda! (Luís Fernando Veríssimo. Comédias para se ler na escola. 2001. Adaptado) confidencial até o m omento da aplicação.

O autor do texto demonstra seu incômodo com duas situa ções diferentes. São elas:

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.