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IFSC - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina Concurso Público

Questão de Língua Portuguesa

CONCURSO PÚBLICO Nº 08/2023 Leia atentamente e cumpra rigorosamente as instruções que seguem, pois elas são parte integrante das provas e das normas que regem esse certame. 1. Atente-se aos avisos contidos no quadro da sala. 2. Seus pertences deverão estar armazenados dentro de embalagem específica fornecida pelo fiscal, permanecendo em sua posse somente caneta esferográfica de ponta grossa, de material transparente, com tinta preferencialmente preta, lanche e água, se houver. A utilização de qualquer material não permitido em edital é expressamente proibida, acarretando a sua imediata eliminação do certame. 3. Certifique-se de que este caderno: - contém 50 (cinquenta) questões; - refere-se à área para o qual realizou a inscrição. 4. Cada questão oferece 5 (cinco) alternativas de respostas, representadas pelas letras A, B, C, D e E, sendo apenas 1 (uma) a resposta correta. 5. Será respeitado o tempo para realização da prova conforme previsto em edital, incluindo o preenchimento da grade de respostas. 6. Os três últimos candidatos deverão retirar-se da sala de prova ao mesmo tempo, devendo assinar a Ata de Prova. 7. A responsabilidade referente à interpretação dos conteúdos das questões é exclusiva do candidato. 8. No caderno de prova, você poderá rabiscar, riscar e calcular. 9. Os gabaritos preliminares da prova objetiva serão divulgados na data descrita no Cronograma de Execução desse certame. . QR code V1_02/06/2023 10:20:04 723_BASE_NS_DT 26/6/202315:22:27 Comecei a nadar Por Adriana Antunes 01 Há dias tenho pensado sobre o correr do tempo. Talvez há tempos. Esse tempo que nos 02 atravessa feito ventania sem nos dar espaço para parar um pouco. Todos, tenho certeza, já 03 desejamos poder segurar as horas, prender os minutos. Um desejo de espi__ar momentos, pois 04 nossa memória não é lá muito elástica. Quem nunca desejou conseguir prolongar o último 05 abraço, o último adeus, o último sorriso. Afinal, só nos damos conta de que o tempo corre 06 quando ele cruza por nós e nos deixa para trás. Há talvez a necessidade de uma compreensão na 07 inversão dos fatos. Explico: não somos nós que vivemos a vida, mas a vida que vive através de 08 nós. Havia vida antes de estarmos aqui. ... vidas depois de não estarmos mais aqui. A vida segue 09 e seguirá seu curso. Daí nos damos conta de que ser quem somos no correr do tempo é uma 10 fatalidade. Poderíamos ser diferente do que somos? Não sei, não sei. Sei que somos um 11 amontoadinho, assim no minúsculo mesmo, de horas finitas. Eis a marca do possível em nós. Por 12 isso, penso também, ser quem somos não é uma finalidade, como se em algum momento 13 tivéssemos de apresentar resultados. Não somos máquinas. 14 Enquanto escrevo essa crônica, ouço o riso de uma criança que me chega pela janela. É 15 domingo, fim da tarde e acabo por sorrir também. Estamos vivendo o instante. Talvez a única 16 instância possível de se viver de fato. O passado, além de ter passado, fica aos poucos, borrado, 17 sem contorno. E quanto mais a infância fica distante, mais o tempo passou por nós. Mais nos 18 afastamos do começo. Do futuro nada sabemos. Mas quanto mais corremos, mais nos 19 aproximamos dele e no fim dele, há o fim. 20 Há alguns meses tomei coragem e comecei a nadar. Pela manhã, bem cedo, tomo 21 coragem, coloco o maiô, a touca, os óculos e me jogo na piscina. Demorei a abrir os olhos, 22 mesmo usando óculos, um medo infantil. Muitos medos. Agora, lá embaixo, no silêncio, tudo fica 23 num verde água. Puro instante. Redescubro minha respiração. Descubro que não sei respirar. 24 Percebo que passei uma vida inteira respirando num ritmo que não é o meu. Quantas e quantas 25 vezes respiramos na velocidade do outro e as angústias, os desafetos, as necessidades, as 26 raivas, as ansiedades do outro. Mergulho e penso no meu pai. Semana passada fez um ano que 27 ele morreu. Meu pai que tinha um coração fraco e água nos pulmões. Já vivia mergulhado em si 28 sem conseguir respirar direito, e, pior, não sabia nadar. Dou braçadas na água como quem 29 deseja abraçar o próprio tempo. Descubro que preciso me redescobrir, compreender e aceitar 30 meu ritmo que é diferente do da instrutora, que é diferente do das pessoas que fazem a aula na 31 mesma hora. Nadar traz uma consciência das coisas. Quando respiramos, percebemos que 32 estamos vivos e que tudo é instante. Aí o gerúndio fica perfeitamente belo e aceitável, pois só se 33 vive, vivendo, porque a vida quer nos viver. Sejamos uma boa casa para ela e respiremos o 34 agora, que é de fato, o único instante que temos. (Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2023/03/comeceia-nadar – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas abaixo: I. Para a autora, somos um instrumento da vida, já que somos os responsáveis por sermos quem somos. II. Quanto mais o tempo passa, nossas memórias vão ficando menos nítidas. III. Enquanto nada, a autora lembra-se do pai, que morrera afogado, sem poder respirar. Quais estão corretas?

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.