Questões de Língua Portuguesa · COMPERVE

Língua PortuguesaOutros temasCOMPERVE 2016

UFRN

Questão de Língua Portuguesa

Leia estas instruções: Confira se os dados contidos na parte inferior desta capa estão corretos e, em 1 seguida, assine no espaço reservado. Este Caderno contém, respectivamente, uma proposta de Redação e 50 questões 2 de múltipla escolha, assim distribuídas: 01 a 10  Língua Portuguesa; 11 a 20  Legislação; 21 a 50  Conhecimentos Específicos. Quando o Fiscal autorizar, verifique 3 imperfeições gráficas que impeçam se o Caderno está completo e sem a leitura. Detectado algum problema, comunique-o, imediatamente, ao Fiscal. A Redação será avaliada considerando-se apenas o que estiver escrito no espaço 4 reservado para o texto definitivo na Folha de Redação fornecida pela Comperve. Escreva de modo legível, pois dúvida gerada por grafia ou rasura implicará 5 redução de pontos. Cada questão de múltipla escolha apresenta quatro opções de resposta, das 6 quais apenas uma é correta. Interpretar as questões faz parte da avaliação, portanto não adianta pedir 7 esclarecimentos aos fiscais. A Comperve recomenda o uso de caneta esferográfica de tinta preta, fabricada 8 em material transparente. Utilize qualquer espaço em branco deste Caderno para rascunhos e não 9 destaque nenhuma folha. Os rascunhos e as marcações que você fizer neste Caderno não serão 10 considerados para efeito de avaliação. Você dispõe de, no máximo, quatro horas e trinta minutos para redigir o texto 11 definitivo na Folha de Redação, responder às questões e preencher a Folha de Respostas. O preenchimento da Folha de Respostas e da Folha de Redação é de sua inteira 12 responsabilidade. Antes de se retirar definitivamente da sala, devolva ao Fiscal este Caderno, a 13 Folha de Respostas e a Folha de Redação. Assinatura do Candidato: Concurso Público UFRN Seleção 2016.3 Prova de Redação No Brasil, acompanhar telenovelas ainda se constitui prática associada ao lazer de parte considerável da população. Ancoradas nesse hábito do público, as telenovelas passaram a enfocar aspectos sociais da contemporaneidade, como, por exemplo, a liberação d a mulher, a formação dos novos arranjos familiares e o preconceito contra as minorias. Devido, pois, ao novo formato, esse produto da indústria cultural tem gerado polêmicas e reações nas redes sociais. O debate quase sempre gira em torno das possíveis influências que pode causar no público. Considerando a discussão em pauta, redija um artigo de opinião com o objetivo de defender ponto de vista sobre a seguinte questão: As telenovelas influenciam, positivamente, o comportamento do brasileiro? INSTRUÇÕES Seu artigo deverá, obrigatoriamente, atender as seguintes exigências: • ser redigido no espaço destinado à versão definitiva na Folha de Redação; • apresentar, explicitamente, um ponto de vista fundamentado em, no mínimo, dois argumentos; • ser redigido na variedade padrão da língua portuguesa; • não ser escrito em versos; • conter, no máximo, 40 linhas; • respeitar as normas de citação de textos; • não ser assinado (nem mesmo com pseudônimo). ATENÇÃO Será atribuída NOTA ZERO à redação em qualquer um dos seguintes casos: • texto com até 14 linhas; • fuga ao tema ou à proposta; • letra ilegível; • identificação do candidato (nome, assinatura ou pseudônimo); • texto que revele desrespeito aos direitos humanos ou que sejam ofensivos. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Concurso Público UFRN  Seleção 2016.3  Tecnólogo em Gestão Pública 1 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 (NÃO ASSINE O TEXTO) 2 Concurso Público UFRN  Seleção 2016.3  Tecnólogo em Gestão Pública 01 a 10 As questões de número 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Como enfrentar o fundamentalismo Leonardo Boff Atualmente, em todo o mundo, se verifica um aumento crescente do conservadorismo e de fenômenos fundamentalistas que se expressam pela homofobia, pela xenofobia, pelo antifeminismo, pelo racismo e por toda sorte de discriminações. O fundamentalista está convencido de que a sua verdade é a única e de que todos os demais ou são desviantes ou fora da verdade. Isso é recorrente nos programas televisivos das várias igrejas pentecostais, incluindo setores da Igreja Católica. Mas também é recorrente no pensamento único de setores políticos. Pensam que só uma verdade tem direito, a deles. O erro deve ser combatido. Eis a origem dos conflitos religiosos e políticos. O fascismo começa com esse modo fechado de ver as coisas. Como vamos enfrentar esse tipo de radicalism o? Além de muitas outras formas, creio que uma delas consiste no resgate do conceito bom do relativismo, palavra que muitos nem querem ouvir. Mas nele há muita verdade. Ele deve ser pensado em duas direções. Em primeiro lugar, o relativo quer expressar o fato de que todos estão, de alguma forma, relacionados. Na esteira da física quântica, insiste a encíclica do Papa Francisco “sobre como cuidar da Casa Comum”: “tudo está intimamente relacionado; todas as criaturas existem na dependência uma das outras” (n. 137;86). Por essa inter-relação, todos são portadores da mesma humanidade. Somos uma espécie entre tantas, uma família. Em segundo lugar, importa compreender que cada um é diferente e possui um valor em si mesmo. Mas está sempre em relação com os outros e com seus modos de ser. Daí ser importante relativizar todos os modos de ser. Nenhum deles é absoluto a ponto de invalidar os demais. Impõe-se também a atitude de respeito e de acolhida da diferença porque, pelo simples fato de se “estar aí”, goza-se de direito de existir e de coexistir. Quer dizer, nosso modo de ser, de habitar o mundo, de pensar, de valorar e de comer não é absoluto. Há mil outras formas diferentes de sermos humanos, desde a forma dos esquimós siberianos, passando pelos ianomâmis do Brasil, até chegarmos aos moradores das comunidades da periferia e aos moradores de sofisticados Alphavilles, onde moram as elites opulentas e amedrontadas. O mesmo vale para as diferenças de cultura, de língua, de religião, de ética e de lazer. Devemos alargar a compreensão do humano para além de nossa concretização. Vivemos na fase da geossociedade, sociedade mundial, una, múltipla e diferente. Todas essas manifestações humanas são portadoras de valor e de verdade. Mas são um valor e uma verdade relativos, vale dizer, relacionados uns aos outros, inter -relacionados, sendo que nenhum deles, tomado em si, é absoluto. Então não há verdade absoluta? Vale o “everything goes” de alguns pós-modernos? Traduzindo: “vale tudo”? Não há o vale tudo. Tudo vale na medida em q ue mantém relação com os outros, respeitando-os em sua diferença e não os prejudicando. Cada um é portador de verdade, mas ninguém pode ter o monopólio dela, nem uma religião, nem uma filosofia, nem um partido político, nem uma ciência. Todos, de alguma fo rma, participam da verdade. Mas podem crescer para uma compreensão mais plena da verdade, na medida em que se relacionam. Bem dizia o poeta espanhol António Machado: “Não a tua verdade. A verdade. Vem comigo buscá-la. A tua, guarde-a”. Se a buscarmos juntos, no diálogo e na recíproca relacionalidade, então mais e mais desaparece a minha verdade para dar lugar à nossa Verdade, comungada por todos. Concurso Público UFRN  Seleção 2016.3  Tecnólogo em Gestão Pública 3 A ilusão do Ocidente, dos Estados Unidos da América e da Europa é de imaginarem que a única janela que dá acesso à verdade, à religião verdadeira, à autêntica cultura e ao saber crítico é o seu modo de ver e de viver. As demais janelas apenas mostram paisagens distorcidas. Pensando assim, condenam -se a um fundamentalismo visceral que os fez, outrora, organizar massacres, ao impor a sua religião na América Latina e na África e, hoje, promover guerras com grande mortandade de civis, para impor a democracia no Iraque, no Afeganistão, na Síria e em todo o Norte da África. Aqui se dá também o fundamentalismo, de tipo ocid ental. Devemos fazer o bom uso do relativismo, inspirados, por exemplo, na culinária. Há uma só culinária, a que prepara os alimentos humanos. Mas ela se concretiza em muitas formas e nas várias cozinhas: a mineira, a nordestina, a japonesa, a chinesa, a m exicana e outras. Ninguém pode dizer que só uma é a verdadeira e gostosa (por exemplo, a mineira ou a francesa) e as outras não. Todas são gostosas a seu jeito e todas mostram a extraordinária versatilidade da arte culinária. Por que com a verdade deveria ser diferente? A base do fundamentalismo é essa arrogância de que seu modo de ser, sua ideia, sua religião ou sua forma de governo é a melhor e a única válida no mundo. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br>. Acesso em: 20 set. 201 6. [Adaptado].

O propósito comunicativo dominante no texto centra -se na crítica,

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.