Língua PortuguesaOutros temasFundatec 2022
Secretaria Municipal de Educação de Esteio/RS Processo Seletivo de Habilitação nº
Questão de Língua Portuguesa
PROCESSO SELETIVO DE HABILITAÇÃO Nº 01/2022 Leia atentamente e cumpra rigorosamente as instruções que seguem, pois elas são parte integrante das provas e das normas que regem esse certame. 1. Atente-se aos avisos contidos no quadro da sala. 2. Seus pertences deverão estar armazenados dentro de embalagem específica fornecida pelo fiscal, permanecendo em sua posse somente caneta esferográfica de ponta grossa, de material transparente, com tinta preta, documento de identificação, lanche e água, se houver. A utilização de qualquer material não permitido em edital é expressamente proibida, acarretando a sua imediata eliminação do certame. 3. Certifique-se de que este caderno: - contém 50 (cinquenta) questões; - refere-se ao cargo para o qual realizou a inscrição. 4. Cada questão oferece 5 (cinco) alternativas de respostas, representadas pelas letras A, B, C, D e E, sendo apenas 1 (uma) a resposta correta. 5. Será respeitado o tempo para realização da prova conforme previsto em edital, incluindo o preenchimento da grade de respostas. 6. Os três últimos candidatos deverão retirar-se da sala de prova ao mesmo tempo, devendo assinar a Ata de Prova. 7. A responsabilidade referente à interpretação dos conteúdos das questões é exclusiva do candidato. 8. No caderno de prova, você poderá rabiscar, riscar e calcular. 9. Os gabaritos preliminares da prova objetiva serão divulgados na data descrita no Cronograma de Execução desse certame. . QR code V2_08/11/2022 14:27:34 Instrução: As questões de números 01 a 13 referem-se ao texto abaixo. A necessidade de uma educação antirracista Por Natália Delamarte França 01 Quando eu estava na 4ª série, ali em meados dos anos 90, havia uma professora pela 02 qual eu era apaixonada. Hoje, 25 anos depois, a explicação chegou: Ela era meu espelho. Mesmo 03 corpo, mesmo tom de pele e com os cabelos cacheados que eu tinha, mas que só aprendi a amar 04 agora. Hoje me tornei professora e compreendo perfeitamente por que a representatividade 05 tanto importa. 06 Naquela época não me recordo de histórias infantis em que os personagens eram negros. 07 Desenhos animados e os clássicos nas fitas cassetes também não faziam esse papel, e quando 08 falamos da televisão, esse cenário piora. Minhas referências na infância em nada se pareciam 09 comigo e ainda reforçavam o sentimento de que algo estaria errado. Era difícil uma criança negra 10 crescer se amando quando tudo que é apresentado se mostra o contrário, formando um conceito 11 de belo que nada se parece com ela. 12 Na escola, as lembranças se restringiam ao povo escravizado (nomenclatura usada hoje 13 porque antes era só “povo escravo”), que muito sofreu e que a África era o lugar das mazelas. 14 Nunca aprendi sobre reinos africanos, príncipes e princesas. Não sabia nada sobre a cultura, a 15 música, as roupas, as comidas. Em muitos momentos só era ensinado sobre a África selvagem, 16 savanas e muitos animais: uma realidade, mas não era só ela – o perigo da história única, como 17 diz a autora Chimamanda. A aula de arte – momento amado pelas crianças – podia se tornar 18 um martírio pela falta de reconhecimento quando tínhamos que pintar da cor da pele. E minha 19 pele era rosa? E cor de pele era só uma? Literatura com escritores e contos africanos nunca se 20 ouviu falar. Nossa história foi apagada e retirada de nós e a escola – espaço pelo qual essa 21 história deveria ser devolvida – acaba por virar um espaço maior de segregação. 22 Então, se reconhecemos o racismo no Brasil como um racismo de marca, que vê primeiro 23 o tom da pele e o cabelo e, se uma criança chega à escola e não encontra referências da sua 24 história em seu processo de escolarização, por fim, seu amigo branco também não conhece 25 outras histórias e versões. Dessa forma, cenas de discriminação racial serão facilmente vistas e 26 perpetuadas e é nesse contexto que entra a necessidade de uma Educação Antirracista. 27 Recordo-me em sala de aula, já na posição de professora, em uma das aulas, 28 conversando com meus alunos de 9 anos sobre a abolição da escravatura e no livro dizia assim: 29 “Após a abolição da escravidão, não houve nenhuma assistência do governo para integrar os 30 escravizados libertos à sociedade de forma que se tornassem cidadãos plenos”. Muitos dos ex- 31 escravizados não tiveram acesso à terra e à educação, e ainda tiveram que conviver com a 32 discriminação e o preconceito da sociedade. Por um instante parei e pensei que o cenário estava 33 mudando e que não bastava “repassar” essa informação, era necessário que eu compreendesse 34 minha identidade social e desenvolvesse naquelas crianças a consciência e a crítica, para que 35 elas entendessem sua história, com vista aos seus futuros. 36 A educação tem seu papel muito bem definido, com objetivos também muito bem 37 traçados e, como diria Paulo Freire, “Não existe educação neutra, toda neutralidade afirmada é 38 uma opção escondida”. Então o entendimento é simples: Se você, professor(a), não sabe quem 39 você é, sua função social, seus privilégios, não tem conhecimento da nossa história e vive em 40 um mundo romantizado, afirmando que o racismo não existe, dificilmente conseguiremos colher 41 frutos de uma sociedade na qual as pessoas negras serão tratadas com respeito. Existe um 42 ditado iorubá que afirma que “Exu matou um pássaro ontem, com uma pedra que jogou só hoje”, 43 o que nos faz pensar que fazer uma educação antirracista hoje é a nossa tentativa de mexer no 44 nosso passado e colher, quem sabe, transformações profundas no futuro. A tão conhecida e 45 perpetuada frase de Angela Davis que afirma que “não basta não ser racista, é necessário ser 46 antirracista” é de fundamental importância e reflexão quando falamos de educação. Não é mais 47 suficiente estar em sala de aula e afirmar não ser racista se em todas as histórias que você conta 48 os personagens são brancos, com cabelos loiros e olhos azuis, ou se você entende que a história 49 do povo negro começou ao chegarem no Brasil. 50 Nesse contexto, vale a reflexão sobre a quantidade de professores(as) negros(as) que 51 tivemos no decorrer da nossa vida escolar. E olha que não são poucos anos: hoje com o Ensino 52 Fundamental de 9 anos, somando a Educação Infantil e mais os nossos três anos no Ensino 53 Médio, são 15 anos. Recordo-me de duas professoras negras que tive, apenas. No processo de Execução: Fundatec 54 Educação Antirracista é preciso pensar também na hierarquização das funções na escola que só 55 reafirmam os estereótipos. 56 A necessidade de uma Educação Antirracista pode ser pensada sob duas perspectivas: A 57 primeira num olhar de representatividade e de reconhecimento de nossa história e a segunda 58 pensando na escola enquanto espaço social onde nossas primeiras relações são estabelecidas. A 59 Lei nº 10.639/03 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e incluiu a obrigatoriedade 60 do estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. A inserção desse parágrafo é 61 fundamental para que a prática pedagógica do professor seja revista e repensada. (Disponível em: https://www.geledes.org.br/a-necessidade-de-uma-educacao-antirracista/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Analise as assertivas abaixo a respeito do texto: I. A autora, que atualmente é professora da 4ª série, entende a importância da representatividade para as crianças negras. II. Durante a infância, a autora não se sentia representada por personagens infantis. III. Em seu relato, a autora conta sobre a educação antirracista que recebeu em sua vida escolar. Quais estão corretas?
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
