Questões de Língua Portuguesa · INAZ do Pará

Língua PortuguesaInterpretação de textosINAZ do Pará 2017

Prefeitura de Rolim de Moura - RO

Questão de Língua Portuguesa

PREFEITURA MUNICIPAL DE ROLIM DE MOURA EDITAL 001/2017 1. Este CADERNO DE QUESTÕES contém 30 QUESTÕES de múltipla escolha referente a Prova Objetiva, correspondentes ao cargo concorrente do candidato. 2. Cada questão objetiva de múltipla escolha apresenta CINCO alternativas identificadas com as letras A, B, C, D e E sendo apenas uma correta. 3. Confira se o seu CADERNO DE QUESTÕES contém a quantidade de questões descritas no item 1 e se o cargo para o qual você foi inscrito está correto. Caso esteja incompleto ou apresente qualquer defeito comunique imediatamente ao fiscal de sala para que seja realizada a substituição. 4. Observe, na FOLHA DE RESPOSTA, se seus dados estão registrados corretamente. Caso haja alguma divergência, comunique ao fiscal de sala. 5. Após conferência, assine seu nome no espaço próprio na FOLHA DE RESPOSTA e no CADERNO DE QUESTÕES. 6. OBRIGATORIAMENTE a FOLHA DE RESPOSTA deverá ser preenchida com caneta esferográfica feita em material transparente de tinta preta. 7. Não é permitida, no momento da prova, a comunicação entre os candidatos, bem como a utilização de aparelhos eletrônicos (calculadora, telefone celular, tablet etc.), óculos escuros, protetor auricular, boné, relógio, livros anotações, impressos ou qualquer outro material de consulta. 10. O tempo disponível para a prova é de 03 (três) horas. 11. Será eliminado do concurso e terá sua prova anulada o candidato (a) que: NÃO ASSINAR A LISTA DE PRESENÇA e/ou a 12. Os três últimos candidatos, ao terminar a prova, só poderão sair juntos.

Casamento na UTI Era uma tarde tranquila, um daqueles raros momentos em que a frágil quietude da UTI, com pacientes gravemente estáveis, parecia antever uma situação caótica como uma parada cardíaca, uma intubação ou qualquer outro procedimento de urgência. A equipe mantinha a rotina de trabalho, seriedade mesclada por momentos de descontração, carinho e cuidado dispensados aos 18 leitos da unidade. Aquela tarde revelaria uma cena que ficaria para sempre na memória. E não seria nenhum diagnóstico revelador, uma conduta heroica ou tratamento inovador. O leito 4.056 era ocupado por dona Terezinha, doente cardiopulmonar grave que há poucos dias respirava por uma máquina e ainda mantinha aquela aparência de quem viu a morte de perto. Muito fraca, dependia de um balão de oxigênio e de constantes exercícios de fisioterapia respiratória. No dia anterior, disse que iria se casar. Como já era casada há 40 anos com seu Damásio, pensamos tratar-se de um quadro de delírio. Pouco antes do horário de visita à UTI, chega o capelão do hospital com trajes diferentes do habitual. Sobre o jaleco branco e surrado, usava uma vistosa estola sacerdotal, tão comprida que quase tocava o chão. Ao seu lado vinha seu Damásio, barba bem feita, roupas simples, mas arrumadas, camisa para dentro da calça e sapatos brilhantes. Tinha um brilho no olhar como se vestisse linho ou puro seda. Dona Terezinha usava um pijama novo trazido pelas auxiliares de enfermagem. Escolheram peças em que o símbolo do hospital ainda não havia sido apagado pelo vapor das caldeiras. Os cabelos bem penteados estavam emoldurados pelo cateter verde transparente de oxigênio. No quarto arrumado para a ocasião não havia comadres no canto, mas um aparelho de ventilação mecânica preparado para o uso. A noiva poderia precisar dele a qualquer momento. Tudo pronto, cadeiras emparelhadas, mãos dadas, uma flor improvisada pela auxiliar de leito e madrinha, alianças emprestadas pelo fisioterapeuta e padrinho. Naquele sagrado momento, nós da equipe representávamos os filhos, netos, vizinhos, conhecidos, amigos e irmãos. Parecia que estávamos em uma capela decorada para uma festa. Estáticos, ouvíamos o padre, aturdidos pela singeleza do momento. As lágrimas derramadas pela quase totalidade da audiência revelaram a emoção presente. Nunca as palavras ‘’na alegria e na tristeza, na saúde e na doença’’ soaram tão sinceras; nunca a frase “até que a morte nos separe’’ provocou tanta comoção. A voz fraca e cansada era interrompida pelo choro, as lágrimas eram recolhidas pelo largo sorriso daquele rosto enrugado. Nas mãos trêmulas e roxas pelas marcas de sete dias de internação em UTI, a aliança insistia em não se encaixar nos dedos inchados. O técnico do Raio X passou por nós sem muito interesse. Deixou de fazer a radiografia naquele quarto e foi para o seguinte. A bênção foi impetrada, rezamos juntos e os noivos se beijaram. Poses para a foto. Como a noiva estava muito fraca, o noivo jogou o buquê, logo apanhado pela madrinha. Aplaudimos com discrição e cumprimentamos os nubentes. Voltamos para rotina dos prontuários, exames e prescrição com uma sensação diferentes e o coração aquecido. Rodrigo Pena de Almeida, revista Ser Médico, nº 37/2006. O texto em questão classifica-se como um gênero textual bastante conhecido. Marque a alternativa correta.

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.