Questões de Língua Portuguesa · IF-PE

Língua PortuguesaInterpretação de textosIF-PE 2016

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Questão de Língua Portuguesa

Texto 1 Em geral, ao se reproduzirem as opiniões de alguém, procede-se a uma nova seleção de termos e a outra construção sintática. Embora esse processo aparente certa inocência, não impede a possibilidade de distorção ou interferência no discurso relatado. Isso leva a duas indagações: a) será possível informar opiniões sem manipulá-las? e b) qual a estratégia usada pelos jornais na informação de opiniões? Sabemos que toda informação é fruto de uma certa compreensão do fenômeno apresentado. E esta compreensão funda-se nas estruturas sócio-político-culturais daquele que informa, seja ele um indivíduo, o jornalista, ou uma entidade, a agência noticiosa ou linha editorial do órgão jornalístico. Isto submete a construção da informação ao mecanismo das condições de produção daquele discurso, o que exigiria, previamente, uma análise da ideologia de cada fonte informadora. Como pressuposto de trabalho, parto da premissa de que apresentar ou citar o pensamento de alguém implica, além de uma oferta de informações, também uma certa tomada de posição diante do exposto. Assim, a avaliação linguística terá um caráter não meramente estilístico, mas sobretudo interpretativo e avaliativo. O mais notável é que isso se processa através do instrumento linguístico usado e não mediante uma interpretação explícita paralela. Não me refiro, portanto, aos comentários: refiro-me tão somente às palavras que introduzem opiniões alheias com pretensão de felicidade ao pensamento do autor. Neste trabalho, as expressões “introduzir”, “relatar”, “citar” e “apresentar” opiniões são usadas equivalentemente, de modo a terem a mesma estrutura lógica interna, com a seguinte configuração: o redator relata a um leitor as opiniões de alguém. Com isto, o redator torna-se um filtro, porquanto ele é receptor e emissor ao mesmo tempo. A forma de exercer este papel é que será aqui analisada, tomando-se como material empírico apenas os verbos. Sem vincular-se a uma teoria específica, ou inserir-se em contextos teóricos já definidos nas várias orientações de análise de discurso, a perspectiva desse estudo é livre e levanta possibilidades sugeridas pelos próprios textos analisados. Apenas, deste forte componente indutivo, consideram-se aspectos básicos desenvolvidos nas obras de Hermann Hoppenkamps (1977), Bárbara Sandig (1970), J. L. Austin (1962) bem como em outros autores. Obviamente, temos a ver com atos discursivos e poderíamos explorá-los dentro dos padrões já estabelecidos para tanto. Preferimos, contudo, a liberdade teórica de estruturar uma questão que poderá ser levada adiante com outra premissa. Esta posição reflete-se na própria confecção do presente texto que abdica, conscientemente, de uma terminologia técnica, preferindo a abordagem direta e sem rodeios excessivos. MARCUSCHI, Luiz Antônio. A ação dos verbos introdutores de opinião. In: . Fenômenos da linguagem: reflexões semânticas e discursivas. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. cap. 8, p.146-147.

Leia o TEXTO 1 para responder às questões de 11 a 18.

Quanto às ideias ou perspectivas teóricas apresentadas ao leitor do TEXTO 1, assinale aquela cujo conteúdo serve de base ou ponto de partida para o desenvolvimento do tema global do texto.

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