Língua PortuguesaOutros temasVunesp 2026
Instituto Embraer
Questão de Língua Portuguesa
Leia o texto para responder às questões de 11 a 15: A fábrica da morte Em 1992 eu estava em Benguela a saborear a minha entrada na adolescência, entrincheirado no quarto dos fundos do lar materno, enquanto bombas e tiros sobrevoavam os nossos telhados. Naquele momento, aterrorizado pelo som das explosões e balas que perfuravam as nossas paredes, comecei a desinventar o mundo, somando ao meu parco repertório de certezas absolutas o medo da morte, o desalento, a maldade humana e, por fim, a desesperança. Era a guerra com toda a sua voracidade pelas coisas belas da vida, reclamando tudo o que tínhamos no nosso nome. Até as minhas memórias, acumuladas durante a minha primeira década de existência, foram arrancadas de mim, e expressões como “há de chegar o teu tempo” e “ainda tens toda uma vida pela frente” soavam-me a escárnio. Passaram-se trinta anos, mas sempre que desfilam diante dos meus olhos imagens de zonas de guerra não deixo de voltar àquele quarto escuro. Foi assim com a Líbia, Etiópia, Síria e, claro, Ucrânia, só para apontar alguns dos conflitos armados mais recentes e que tiveram espaço midiático. Volto a sentir o braço da minha mãe à volta de mim e dos meus irmãos, apertando os nossos corpos sempre que uma bomba caía, fazendo estremecer a casa e as nossas almas. Em 2002, com o fim da guerra que fizera a minha mãe enviar-me para a Europa, eu e muitos da minha geração – que nasceram e cresceram durante os anos da Guerra Fria – tínhamos como desejo maior pôr fim aos exílios que aquela guerra nos impusera durante os longos e penosos 27 anos de conflito que os livros de história classificam de guerra civil. Mas para nós a realidade sempre se revelou muito mais complexa. As causas não cabiam na narrativa dos conflitos étnicos e regionais. (Kalaf Epalanga. Minha pátria é a língua pretuguesa: Crônicas, 2023. Adaptado)
Ao discorrer sobre a vivência da guerra, o autor deixa claro que ela
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

