Questões de Língua Portuguesa · UFRRJ

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UFRRJ – Técnico-Administrativo (Edital )

Questão de Língua Portuguesa

EDITAL 30/2018 (13h às17h30min). QUESTÕES. caderno de questões. REDAÇÃO Leia com atenção os textos a seguir. Jovens fazem plásticas para ficar parecidos com suas selfies com filtro Crystal adorava trocar selfies com os amigos. Com frequência, porém, ela se detia por um instante antes de enviar suas próprias fotos: "Não conseguia parar de olhar como o filtro do Snapchat mudava o meu rosto", disse à BBC. "Ele definia meu queixo, delineava as maçãs do rosto e deixava meu nariz mais reto, o que sempre me fazia sentir um pouco insegura", conta a assistente médica de 26 anos, de San Diego, na Califórnia (EUA). Em uma tentativa então de ter o rosto parecido de fato com a versão que via com o filtro das flores do Snapchat, ela decidiu fazer preenchimentos no nariz e embaixo dos olhos. Ela faz parte do crescente número de jovens que buscam em procedimentos estéticos um caminho para ficarem mais parecidos com as selfies que tiram. O termo “dismorfia de Snapchat” foi criado pelo médico britânico Tijion Esho, que tem várias clínicas estéticas no Reino Unido. Não se trata de uma doença oficialmente reconhecida, mas de um fenômeno que preocupa especialistas em saúde mental, assim como alguns cirurgiões plásticos. "Agora vemos fotos de nós mesmos diariamente nas plataformas sociais que usamos, algo que pode nos tornar mais críticos de nós mesmos", explica Esho, que diz já ter recusado atender pacientes que pareciam demasiadamente obcecados em parecer com suas fotos com filtro. Segundo o médico, essas fotos são boas como referência. "O problema é quando elas se tornam mais do que uma referência: se transformam em como os pacientes veem a si mesmos ou quando querem se ver exatamente como nessas imagens. Isso não é apenas pouco realista, mas potencialmente um sintoma de outros problemas subjacentes”, opina. Fonte: https://universa.uol.com.br/noticias/bbc/2018/05/05/jovens-fazem-cirurgias-para-ficar-parecidos-com-suas-selfies-com-filtro.htm. Acessado em 06/05/2018. REAL MARAVILHOSO – Victor Motta Nossa vida flutuando em dois espaços, um real – outro fantástico imaginário, e nesse encontro do real maravilhoso ficamos presos, partidos aos pedaços estando em um, desejando o outro. Vivemos então o momento majestoso, onde tudo é possível na fantasia criada, e no equilíbrio dessa realidade virtual, encontramos a felicidade imaginada para amenizar a solidão do ser esmagado na realidade do viver buscando no fantástico irreal as ilusões passadas e perdidas. Fonte: https://www.pensador.com/poemas_de_amor_virtual/. Acessado em 06/05/2018. Fonte: www.vidadesuporte.com.br. Acessado em 06/05/2018. A partir das reflexões suscitadas pelos textos I, II e III, escreva, entre 25 e 30 linhas, com base na norma culta da língua portuguesa, um texto dissertativo/argumentativo acerca do tema: Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10. A Ética da Amizade - Christian Ingo Lenz Dunker Ser amigo de alguém parece algo que não se aprende, de repente acontece. Parece mesmo um assunto pouco sério. Na verdade a amizade foi um tema muito discutido na filosofia antiga e existiram escolas de pensamento, como o epicurismo, que colocavam a amizade no centro da vida humana. Cultivá-la não era apenas uma coisa a mais na vida, mas aquilo que nos tornava melhores e tornava a vida algo que valesse a pena. Às vezes pensamos que a ética é alguma coisa que se decide apenas em torno dos grandes temas sobre os quais precisamos tomar uma posição: a morte, a violência, a justiça, a fidelidade, o bem estar comum. Mas nesta coisa comum que é a amizade tudo isso está em jogo. Como tratamos o outro, e como estamos com o outro, este é o problema. Para saber que alguém é nosso amigo geralmente fazemos a seguinte pergunta: ele está comigo por algum interesse ou porque ele de fato quer o meu bem? Uma regra da amizade é a de que não devemos usar o outro como um meio de alcançar algo. Quando isso acontece dizemos que é uma amizade interesseira, uma falsa amizade, onde a preocupação é: o que eu vou ganhar com isso? Amigos não esperam ganhar nada além da própria amizade. A relação, nela mesma, é o que nos atrai. (...) A ética da amizade exige, em contrapartida, uma rigorosa igualdade. Não uma igualdade no sentido em que são pessoas que gostam das mesmas coisas, de um tipo de música, por exemplo. Não uma igualdade em que você será tratado da mesma maneira como trata o outro, afinal isso geraria apenas uma ética baseada na troca de interesses. A igualdade de que falo diz respeito a como tratamos e acolhemos as diferenças entre os amigos. A diferença não precisa ser eliminada, pois o sentimento de igualdade suporta as divergências de opiniões e de jeitos de ser. É uma igualdade mais abstrata. (...) Em nossa época a ética da amizade tem encontrado poucos espaços para frutificar. O lema “amigos, amigos, negócios à parte” inicialmente podia ser lido no sentido de não tornar as amizades um trampolim para outras atividades, não transportar a confiança de um para outro. A cultura brasileira produziu, historicamente, formas complexas de relações onde a distinção entre o que é e o que não é amizade fica difícil de estabelecer. O dono da mercearia que vende fiado, aos “amigos”, o “amigo” naquela repartição capaz de resolver um problema quando preciso, os acobertamentos e favorecimentos que tornam nossa sociedade tão desigual baseia-se, entre outras coisas na corrupção da ética da amizade. Nada mais típico do que a expressão: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Isso que dizer que a própria aplicação da lei não é igual para todos, uma descarada injustiça. Não é à toa que os membros da máfia italiana chamavam-se uns aos outros de “amici” (amigos). Quando a amizade é atravessada por uma rede de interesses ela se enfraquece enquanto tal. Perde assim sua capacidade de gerar segurança, confiança e de reunir igualdade e diferença de um modo tão único e enriquecedor para nossas vidas. Por outro lado, neste mesmo Brasil, que vive uma degradação da amizade em troca de favores, vemos situações de miséria extrema onde a solidariedade acaba sendo o único recurso para sustentar um modo viável de existência coletiva. É interessante como em muitas destas situações efetivamente uns ajudam os outros mas isso acontece de forma tão espontânea que não ocorre a ninguém contabilizar tais favores ou cobrá-los em outro momento. Mas de fato, não é apenas a amizade que define tais situações mas uma combinação de modos de relacionamento típica de nossa cultura. Outro sinal do declínio da ética da amizade pode estar associado ao aumento da violência nas escolas e entre os adolescentes em geral. A escola não ensina a amizade mas ela, no melhor dos casos, permite que esta aconteça. A situação escolar favorece o desenvolvimento de amigos: reúne pessoas da mesma idade, geralmente com preocupações semelhantes, submetidas a um regime comum de problemas e de exigências. Quando esta situação é atravessada por interesses que ultrapassam a referência que torna todos iguais dentro da escola, a amizade tem problemas para se consolidar. Formam-se grupos de exclusão, amizades orientadas para a sobrevivência ou opressão, para a aquisição de poder ou influência. (...) Tratando com crueldade, não apenas física, aqueles que se desviam desses interesses o grupo mostra como a desigualdade entre seus membros não pode tolerar diferenças, afastando-se assim da ética da amizade. Adaptado de: http://stoa.usp.br/chrisdunker/files/1871/10564/1996+-+A+Ética+da+Amizade.pdf

O texto do psicanalista Christian Dunker é um artigo de opinião porque se caracteriza pela

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.