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Prefeitura Municipal de Monte Belo do Sul/RS Concurso Público

Questão de Língua Portuguesa

Texto adaptado 457_NFC_LP_7/2/201818:46:06

CONCURSO PÚBLICO Nº 01/2017 Instruções Leia atentamente e cumpra rigorosamente as instruções que seguem, pois elas são parte integrante das provas e das normas que regem esse Concurso ou Processo Seletivo. 1. Atente-se aos avisos contidos no quadro da sala. 2. Seus pertences deverão ser armazenados dentro do saco plástico fornecido pelo fiscal. Somente devem permanecer em posse do candidato caneta esferográfica, documento de identidade, lanche e água, se houver. A utilização de qualquer material não permitido em edital é expressamente proibida, acarretando a imediata exclusão do candidato. 3. Certifique-se de que este caderno: - contém 40 (quarenta) questões; - refere-se ao cargo para o qual realizou a inscrição; 4. Cada questão oferece 5 (cinco) alternativas de respostas, representadas pelas letras A, B, C, D e E, sendo apenas 1 (uma) a resposta correta. 5. No caderno de prova, pode-se rabiscar, riscar e calcular. 6. Será respeitado o tempo para realização da prova conforme previsto em edital, incluindo o preenchimento da grade de respostas. 7. A responsabilidade referente à interpretação dos conteúdos das questões é exclusiva do candidato. 8. Os dois últimos candidatos deverão retirar-se da sala de prova ao mesmo tempo, devendo assinar a Ata de Prova. 9. Os gabaritos preliminares da prova objetiva serão divulgados na data descrita no Cronograma de Execução. Boa prova! V2_31/1/201811:32:43 457_NFC_LP_7/2/201818:46:06 Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões. Escutatória Por Rubem Alves 01 Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo 02 mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de 03 escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. 04 Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás duas mulheres conversavam. 05 Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. Uma delas contava do marido 06 hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia – a enfermeira nunca 07 acertava – dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao 08 fim, esperando, evidentemente, o aplauso, admiração, uma palavra de acolhimento na alma da 09 outra que, supostamente, ouvia. Contudo, o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é 10 nada…” A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e 11 dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira. 12 Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite 13 melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele 14 diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a 15 gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. 16 Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e 17 vaidade: no fundo, somos os mais bonitos… 18 .......... grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. .......... alguns anos passei uma 19 semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, 20 juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água 21 no chafariz onde as pombas vinham beber. ......... uma disciplina de silêncio, não total, mas de 22 uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter 23 uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para 24 comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui 25 informado que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: ___ 7 26 da manhã, ___ meio dia e ___ 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era 27 um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali 28 colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas 29 sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados 30 em “U” definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa 31 almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande 32 silêncio. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava 33 providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse 34 para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino…” Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte 35 minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas 36 estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não 37 basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o 38 silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Me veio agora a 39 ideia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa – quando ficamos mudos, sem 40 fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia 41 que de tão linda nos faz chorar. Pra mim Deus é isso: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a 42 importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do 43 outro e a beleza da gente se juntam num contraponto… Disponível em: http://www.institutorubemalves.org.br/rubem-alves/carpe-diem/cronicas/escutatoria-3/ - Execução: Fundatec

Assinale a alternativa que apresenta uma informação correta a respeito dos assuntos tratados no texto.

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.