Língua PortuguesaOutros temasRBO 2017
Câmara de Itatiaia - RJ
Questão de Língua Portuguesa
Concurso Público – Edital nº 001/2017 VIGIA o Este caderno é composto de 30 questões objetivas de múltipla escolha. o Confira se o seu caderno possui todas as páginas. o Utilize o Caderno de Questões como rascunho, transferindo as alternativas assinaladas . o Ao terminar a prova, o candidato entregará ao Fiscal de Sala, obrigatoriamente, o Caderno Divulgação de Gabarito: Destaque aqui e leve a parte inferior. Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 4. Adolescência O apelido dele era “cascão” e vinha da infância. Uma irmã mais velha descobrira uma mancha escura que subia pela sua perna e que a mãe, apreensiva, a princípio atribuiu que era sujeira mesmo. – Você não toma banho, menino? – Tomo, mãe. – E não se esfrega? Aquilo já era pedir demais. E a verdade é que muitas vezes seus banhos eram representações. Ele fechava a porta do banheiro, ligava o chuveiro, forte, para que a mãe ouvisse o barulho, mas não entrava no chuveiro. Achava que dois banhos por semana era o máximo de que uma pessoa sensata precisava. Mais do que isso era mania. O apelido pegou e, mesmo na sua adolescência, eram frequentes as alusões familiares à sua falta de banho. Ele as aguentava estoicamente. Caluniadores não mereciam resposta. Mas um dia reagiu. – Sujo, não. – Ah, é? – disse a irmã. – E isto o que é? Com o dedo ela levantara do seu braço um filete de sujeira. – Rosquinha não vale. – Como não vale? – Rosquinha, qualquer um. Entusiasmado com a própria tese, continuou: – Desafio qualquer um nesta casa a fazer o teste da rosquinha! A irmã, que tomava dois banhos por dia, o que ele classificava de exibicionismo, aceitou o desafio. Ele advertiu que passar o dedo, só, não bastava. Tinha que passar com decisão. E, realmente, o dedo levantou, da dobra do braço da irmã, uma rosquinha, embora ínfima, de sujeira. – Viu só – disse ele, triunfante. – E digo mais: ninguém no mundo está livre de uma rosquinha. – Ah, essa não. No mundo? Manteve a tese. – Ninguém. – A rainha Juliana? – Rosquinha. No pé. Batata. No dia seguinte, no entanto, a irmã estava preparada para derrubar a sua defesa. – Cascão... – disse simplesmente. – A Catherine Deneuve. Ele hesitou. Pensou muito. Depois concedeu. A Catherine Deneuve, realmente, não. A irmã, sadicamente, ainda fingiu que queria ajudar. Cãmara Municipal de Itatiaia – Vigia. – Quem sabe atrás da orelha? – Não, não – disse o Cascão tristemente, renunciando à sua tese. – A Catherine Deneuve, nem atrás da orelha. Luis Fernando Verissimo. Adolescência. Comédias para se ler na escola.
De acordo com o texto, é correto afirmar que
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
