Questões de Contabilidade · IF-PE

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Questão de Contabilidade

Leia o TEXTO 8 para responder à questão 24. TEXTO 8 Na minha vida de fábrica, tive uma experiência única [...] para mim pessoalmente, veja o que significou o trabalho na fábrica: mostrou que todos os motivos exteriores (que antes eu julgava interiores) sobre os quais, para mim, se apoiava o sentimento de dignidade, o respeito por mim mesma, em duas ou três semanas ficaram radicalmente arrasados pelo golpe de uma pressão brutal e cotidiana. E não creio que tenham nascido em mim sentimentos de revolta. Não, muito ao contrário. Veio o que era a última coisa do mundo que eu esperava de mim: a docilidade. Uma docilidade de besta de carga resignada. Parecia que eu tinha nascido para esperar, para receber, para executar ordens – que nunca tinha feito senão isso – que nunca mais faria outra coisa. Não tenho orgulho de confessar isso. É a espécie de sofrimento de que nenhum operário fala; dói demais, só de pensar. Dois fatores condicionam essa escravidão: a rapidez e as ordens. A rapidez: para alcançá-la,é preciso repetir movimento atrás de movimento, numa cadência que, por ser mais rápidaque o pensamento, impede o livre curso da reflexão e até do devaneio. Chegando-se à frenteda máquina, é preciso matar a alma, oito horas por dia, pensamentos, sentimentos, tudo (...). As ordens: desde o momento em que se bate o cartão na entrada até aquele em que se bate ocartão na saída, elas podem ser dadas, a qualquer momento, de qualquer teor. E é precisosempre calar e obedecer. A ordem pode ser difícil ou perigosa de se executar, até inexequível;ou então, dois chefes dando ordens contraditórias; não faz mal: calar-se e dobrar-se (...). Engolir nossos próprios acessos de enervamento e de mau humor; nenhuma tradução delesem palavras, nem em gestos, pois os gestos estão determinados, minuto a minuto, pelo trabalho. Essa situação faz com que o pensamento se dobre sobre si, se retraia, como a carne se retrai debaixo de um bisturi. Não se pode ser “consciente”. WEIL, Simone. Carta a Albertine Thévenon (1934-5). In: TOMAZI, Dacio Nelson. Sociologia para o ensino médio. São Paulo: Atual, 2007, p. 50.

O TEXTO 8 discorre acerca da condição operária na fábrica taylorista. Sobre essa questão, considere as afirmativas a seguir: I. Na União soviética, que adotou o regime de economia planificada, a utilização dos princípios do taylorismo foram condenados por negar o trabalho como atividade consciente, criativa e libertadora. II. Frederick Taylor, em seu livro Princípios de administração científica, propunha a aplicação de métodos científicos para a maior racionalização do processo produtivo, visando ao aumento da produtividade mediante o uso mais adequado e racional de horas trabalhadas. III. Taylor propõe o controle das atividades dos trabalhadores pela divisão entre planejamento e execução. Isso se daria não só pelo parcelamento das tarefas, mas também pela mecanização de parte das atividades com a introdução da linha de montagem e da introdução de um sistema de recompensas e punições. IV. Elton Mayo propôs estratégias que evitassem o conflito e promovessem o equilíbrio e a colaboração no interior da fábrica. Estratégias que revelaram formas indiretas de controle, através da cooptação ideológica dos trabalhadores, fazendo-os perceberem-se como parte de uma comunidade, como colaboradores. V. Segundo Harry Bravermann, em seu livro Trabalho e capital monopolista, o objetivo do Taylorismo é maximizar a exploração da força de trabalho, objetivando o aumento da produtividade e a redução de custos. Isso se dá pelo controle dos mínimos gestos e movimentos dos trabalhadores, eliminando quaisquer gestos de autonomia e criatividade. Estão corretas, apenas:

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.