Raciocínio LógicoProposições e conectivosUFLA 2025
UFLA – Edital PROGEPE Nº - Médico Veterinário
Questão de Raciocínio Lógico
Câmpus Universitário – Caixa Postal 3037 37203-202 – Lavras (MG) CONCURSO PÚBLICO – UFLA EDITAL Nº 60/2025 DIA: 30/11/2025 QUESTÕES 1 A 10 QUESTÕES 11 A 20 QUESTÕES 21 A 35 QUESTÕES 36 A 70 INSTRUÇÕES: ATENÇÃO! ▪ O não cumprimento das instruções poderá acarretar a eliminação do candidato. ▪ O tempo de duração da prova é de 4h (quatro horas) e INCLUI o preenchimento do formulário de respostas. ▪ A interpretação das questões faz parte da prova. ▪ Este caderno será obrigatoriamente devolvido ao fiscal ao final da prova. O(a) candidato(a) poderá destacar a contracapa, na qual se encontra o rascunho do gabarito, que não poderá ter nenhuma anotação extra. ▪ A devolução do formulário de respostas e do caderno de prova é de inteira responsabilidade do candidato. ▪Qualquer irregularidade deverá ser comunicada ao fiscal. | EDITAL UFLA Nº 60/2025 LÍNGUA PORTUGUESA (QUESTÕES 1 A 10) INSTRUÇÕES: Leia o Texto 1 para responder às questões 1 a 4 TEXTO 1 Sociedade do espetáculo Maria Rita Kehl A frenética busca por “15 minutos de fama” nas plataformas digitais tornou-se uma perigosa armadilha, ainda mais cruel quando envolve crianças e adolescentes 1 Esta coluna toma emprestado o título de um dos livros mais conhecidos do filósofo e teórico 2 marxista francês Guy Debord (1931–1994). Passados mais de 30 anos de sua morte, o tema 3 mostra-se cada vez mais atual. Para o autor, a sociedade capitalista, em seu estágio avançado, 4 transformou as relações sociais em um grande espetáculo, no qual imagens e aparências se 5 sobrepõem à vida real e às experiências autênticas. Nesse contexto, os sujeitos buscam sempre 6 apresentar-se em sua melhor performance: felizes, endinheirados, desfrutando de viagens 7 interessantes, festas incríveis etc. 8 Os “15 minutos de fama” que todos deveriam experimentar uma vez na vida, na visão idílica 9 de Andy Warhol, tornaram-se insuficientes para quem vive neste mundo hiperconectado do 10 século XXI. É preciso exibir-se constantemente, sempre na melhor pose possível. Não basta 11 estar, eventualmente, feliz e desfrutando férias, jantando em um bistrô em Paris ou viajando em 12 um cruzeiro de luxo. É necessário que muita gente saiba disso – e, de preferência, inveje tal 13 privilégio. O espetáculo, escreve Debord, é uma relação social mediada por imagens que, por sua 14 circulação, acabam por “dominar a vida”. A qualidade da inserção social do sujeito passa a ser 15 medida pelas imagens que ele consegue produzir e divulgar. 16 Hoje, para o viajante, talvez importe menos o prazer de conhecer lugares novos do que o 17 gostinho de provocar inveja nos amigos. Daí a sanha de registrar, em fotografias e vídeos, 18 momentos supostamente maravilhosos e divulgá-los rapidamente nas redes sociais, ou enviá- 19 los para incontáveis grupos de WhatsApp. Debord não poderia prever o que viria a ser o poder dos 20 telefones celulares nas novas configurações da sociedade do espetáculo. Com um singelo 21 aparelho de comunicação em mãos, as pessoas criam autoficções que lhes conferem prestígio 22 diante dos outros. 23 Podemos supor, além disso, uma relação entre a predominância da imagem sobre o 24 pensamento e o declínio das narrativas – tão caras ao meu filósofo favorito, Walter Benjamin. 25 Quem ainda quer ouvir relatos interessantes, se estes podem ser substituídos por fotos e vídeos? 26 Penso que o interesse genuíno em adquirir novos conhecimentos ao viajar, ou mesmo em ampliar 27 a compreensão do mundo em que vivemos, tem sido facilmente substituído pelos efeitos 28 fetichistas de divulgar, o máximo possível, imagens de lugares paradisíacos, restaurantes 29 caríssimos, festas de arromba. 30 Outro aspecto que Debord não teria como prever é que essa hiperexposição de cenas banais 31 do cotidiano se transformaria em um grande negócio, à medida que as plataformas digitais 32 passaram a monetizar as publicações dos usuários com maior alcance. Hoje, grande parte dos P á g i n a 3 | 33 | EDITAL UFLA Nº 60/2025 33 jovens nutre a ilusão de alcançar fama e fortuna por meio desse espetáculo. E não tardaram a 34 surgir empresários inescrupulosos, dispostos a explorar a imagem de crianças e adolescentes 35 nas redes sociais. Como denunciou recentemente o youtuber Felipe Bressanim Pereira, 36 conhecido como Felca, há de tudo um pouco nesse terreno pantanoso: de programas de 37 entrevistas conduzidos por versões mirins de coaches de empreendedorismo a reality shows 38 protagonizados por menores, nos quais eles participam de festas com bebidas alcoólicas, usam 39 roupas provocativas e executam danças sensuais – um prato cheio para os pedófilos e 40 predadores sexuais. 41 Nesse cenário, alguns pais talvez não se deem conta de que, ao buscar seus 15 minutos de 42 fama e alguns likes, acabam expondo seus bebês fofinhos a adultos perversos que habitam os 43 ambientes digitais. Outros, como denunciou Felca, parecem não se importar em ganhar alguns 44 trocados com a exposição dos próprios filhos – mesmo em contextos que violam a dignidade de 45 crianças e adolescentes. 46 Observem o paradoxo: justamente ali, nas situações em que a vida parece, aos olhos dos 47 outros, mais vibrante e interessante, é onde ela acaba por ser mais aviltada. Sim, aviltada. Pois é 48 quando o contato com o mundo deixa de ser uma fonte de experiência e passa a ser apenas uma 49 oportunidade de exibicionismo. Perde-se, na acepção de Walter Benjamin, um elemento 50 precioso em nossa tarefa de criar sentidos para a vida. Perde-se a capacidade de transformar o 51 fato em narrativa e a vivência em experiência. O vazio que advém da sanha por vivências que não 52 se convertem em experiência talvez ajude a explicar a violência que constantemente ameaça o 53 laço social. Fonte: publicado na edição n° 1377 de Carta Capital, em 03 de setembro de 2025.
Leia as proposições extraídas do texto: I. “Os “15 minutos de fama” que todos deveriam experimentar uma vez na vida, na visão idílica de Andy Warhol, tornaram-se insuficientes para quem vive neste mundo hiperconectado do século XXI” (linhas 8 a 10). II. “Observem o paradoxo: justamente ali, nas situações em que a vida parece, aos olhos dos outros, mais vibrante e interessante, é onde ela acaba por ser mais aviltada” (linhas 46 e 47). III. “O vazio que advém da sanha por vivências que não se convertem em experiência talvez ajude a explicar a violência que constantemente ameaça o laço social” (linhas 51 a 53). Todas as alternativas apresentam termos que substituem os vocábulos destacados, nas proposições I, II e III, respectivamente, sem prejuízo de sentido, considerando o contexto em que aparecem, EXCETO:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

