Língua PortuguesaInterpretação de textosFundatec 2022
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul - IFRS Concurso Público
Questão de Língua Portuguesa
CONCURSO PÚBLICO Nº 36/2022 Leia atentamente e cumpra rigorosamente as instruções que seguem, pois elas são parte integrante das provas e das normas que regem esse certame. 1. Atente-se aos avisos contidos no quadro da sala. 2. Seus pertences deverão estar armazenados dentro de embalagem específica fornecida pelo fiscal, permanecendo em sua posse somente caneta esferográfica de ponta grossa, de material transparente, com tinta preta, documento de identificação, lanche e água, se houver. A utilização de qualquer material não permitido em edital é expressamente proibida, acarretando a sua imediata eliminação do certame. 3. Certifique-se de que este caderno: - contém 40 (quarenta) questões; - refere-se ao cargo para o qual realizou a inscrição. 4. Cada questão oferece 5 (cinco) alternativas de respostas, representadas pelas letras A, B, C, D e E, sendo apenas 1 (uma) a resposta correta. 5. Será respeitado o tempo para realização da prova conforme previsto em edital, incluindo o preenchimento da grade de respostas. 6. Os três últimos candidatos deverão retirar-se da sala de prova ao mesmo tempo, devendo assinar a Ata de Prova. 7. A responsabilidade referente à interpretação dos conteúdos das questões é exclusiva do candidato. 8. No caderno de prova, você poderá rabiscar, riscar e calcular. 9. Os gabaritos preliminares da prova objetiva serão divulgados na data descrita no Cronograma de Execução desse certame. . QR code V1_23/05/2022 08:32:15 667_BASE_NM_24/5/202211:05:10 Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões. Duas vezes que parti sem dizer adeus Por Jeferson Tenório 01 Sempre achei que alguém deveria escrever a história dos pais separados que vão visitar 02 seus filhos. Dos pais que convivem diariamente com a falta. Uma história dos pais fracos que 03 enjoam nos ônibus e que tem medo de avião. Tenho um filho. O nome dele é João. Não mora 04 comigo. Vive em Santa Catarina. Uma vez por mês viajo para vê-lo. Ele ainda não completou 05 três anos. Nas primeiras viagens, cada vez que o ônibus fazia uma curva, eu quase vomitava. 06 Passados três anos e dezenas de idas e vindas na BR 101, construí uma fortaleza no estomago. 07 Dostoiéviski tinha razão: a maior qualidade de homem é a de se habituar a tudo. Eu, no entanto, 08 ainda não domei os aviões. 09 Antes de mais nada, quero adiantar que não sou escritor. Um escritor escreve. Eu escrevo, 10 mas não me sinto um profissional nisso. Por outro lado, creio que não preciso da chancela de um 11 editor para continuar escrevendo. Não tenho ideia se o que escrevo é bom. Embora eu devesse 12 saber disso, pois ensino literatura. Sou formado em Letras e isso parece me autorizar a criticar 13 o texto dos outros. Já imitei muita gente antes de desistir de ser escritor. Agora eu tenho um 14 diário e isso me basta. Este texto é um fragmento dele. Não vivo de escrever. Faço rascunhos e 15 observo ___ coisas. Estou bem assim. Com o tempo, a gente aceita a possibilidade de não ser 16 mais um vencedor e de querer dizer as verdades. 17 Como não sei se escrevo bem, criei uma espécie de máquina dentro de mim que chamo 18 de “autocrítica”. Eu a treinei para captar as besteiras que ponho no papel. Mas, por vezes, a 19 máquina falha e passo a ter menosprezo por algumas palavras que saem da minha cabeça e é 20 isso que me dói. Antes me doía não ser bom como o Dostoiéviski, agora só me dói não ter o que 21 dizer quando preciso dizer. 22 Meu filho está crescendo longe de mim. Não quero drama nem lamentações, por isso 23 tenho este diário. É o meu modo de preencher a falta. Sei que o que escrevo não é nada perto 24 de tudo que já se fez. O que não faz dessas palavras algo menos importante, pois este texto 25 será lido por algumas pessoas, alguns amigos e talvez meu filho. Para mim, o João lendo, é o 26 suficiente. Sinceramente, não sei se o que acontece na nossa vida é uma história que merece 27 ser contada. Nem sei se tenho uma história para contar. Não sei se este diário vale ___ pena. O 28 que sei é já tive de voltar a Porto Alegre em silêncio com um pranto amarrado nos olhos ao sair 29 escondido, porque não queria ver o João chorar na despedida. 30 Eu nunca pensei em ser pai. Sempre achei que ter um filho era uma coisa para os outros. 31 Eu tive um colega na escola, o André. Ele teve um filho quando estava no ensino médio. O André 32 parou de estudar e eu fui ao hospital ver a criança. Foi assustador. O André só tinha 16 anos. A 33 mãe tinha 15. Todos diziam que eles tinham estragado o futuro deles. Ainda acompanhei o André 34 por algum tempo. Ele trabalhou em um posto de gasolina da BR. Um ano depois eles se separam 35 e o André começou a pagar uma pensão, mas nunca mais quis ver o filho. Agora ele tem outra 36 família, tem mais dois filhos. E assim é. 37 Uma coisa é certa: os pais sempre serão os culpados pela má formação dos filhos. Pais 38 sempre erram. Com os filhos a gente nunca ensina nada direito. A gente só aprende. Quando se 39 põe um filho no mundo a gente pensa que pode defendê-lo de tudo, chegamos a achar que 40 somos eternos, que os filhos serão sempre pequenos e vão nos amar todo o tempo. ___ vezes 41 os filhos, na vida adulta, nos perdoam pelas burradas que fizemos e então seguimos. Noutras, 42 não há tempo para nada, nem para o perdão nem para o amor. Aí a vida vai passando, 43 envelhecemos e depois temos de morrer para que os filhos sigam e conheçam a vida sozinhos. (Disponível em: https://palavraria.wordpress.com/2013/01/19/a-cronica-de-jeferson-tenorio-das-vezesque-parti-sem-dizer-adeus/ – texto adaptado especialmente para esta prova). Execução: Fundatec 667_BASE_NM_24/5/202211:05:10
Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir: I. O autor tem como assunto principal a distância do filho, mas mescla trechos de reflexão sobre sua escrita ao texto. II. O autor decide escrever sobre o tema escolhido por considerar que todos os acontecimentos simples de nossas vidas merecem ser contados. III. Percebe-se no texto o quanto o autor se julga inferior em sua capacidade de escrever. Quais estão corretas?
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

